Preocupação no governo Lula com visita de assessor dos EUA a Bolsonaro na prisão

REDAÇÃO

A visita autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao assessor sênior do Departamento de Estado dos EUA, Darren Beattie, para encontrar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, marcada para 18 de março de 2026, das 8h às 10h, no Complexo da Papuda (unidade Papudinha), em Brasília, gerou preocupação no governo Lula.

Beattie, responsável por supervisionar as políticas americanas em relação ao Brasil e crítico declarado do presidente e da atuação do STF especialmente do ministro Moraes, a quem já chamou de “arquiteto da censura”, obteve a liberação após pedido da defesa de Bolsonaro. O encontro ocorrerá dentro do regime regular de visitas prisionais (quartas e sábados), com possibilidade de intérprete, após Moraes negar datas excepcionais solicitadas (16 ou 17 de março) para adequação à agenda do visitante.

O assessor cumpre compromissos oficiais em Brasília e São Paulo, incluindo debates sobre minerais críticos, crime organizado (como PCC e CV) e o sistema eleitoral brasileiro, além de agendas com figuras como o senador Flávio Bolsonaro. A ausência de qualquer solicitação oficial para reuniões com autoridades do governo Lula acende alertas no Planalto, que vê risco de interferência externa no cenário político, especialmente com vistas às eleições de 2026.

O episódio reforça a relevância internacional do ex-presidente Bolsonaro e expõe tensões nas relações bilaterais, com aliados do governo interpretando a visita como um sinal de vulnerabilidade diplomática e possível ampliação de narrativas críticas ao atual mandato.

Fotos: Divulgação