Mansões, obras de arte e ativos de luxo são alvo de ações para recuperar bilhões desviados e ressarcir credores
O escândalo do Banco Master continua revelando as entranhas da ganância sem limites de Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro que transformou uma instituição financeira em máquina de fraudes bilionárias, prometendo retornos irreais via CDBs para captar recursos de investidores incautos, muitos deles aposentados e pequenos poupadores, enquanto desviava fortunas para um império pessoal de luxo inacreditável.
O liquidante nomeado pelo Banco Central, em ofensivas judiciais no Brasil e nos EUA, incluindo intimações na Corte de Falências de Miami, rastreia agora uma coleção impressionante de bens supostamente ocultos ou transferidos.
São mansões faraônicas como a de US$ 32 milhões, cerca de R$ 170 milhões, comprada pelo pai em Orlando, 2.200 m² de puro ostentação, outra em Miami avaliada em até US$ 85-86 milhões, R$ 450-500 milhões, registrada via offshores e LLCs para esconder o nome real, além de duplex, apartamentos de alto padrão, iates, aviões e, o ápice da decadência, obras de arte de mestres como Pablo Picasso, uma aquisição confirmada por US$ 6,4 milhões, Andy Warhol, Mark Rothko, Jeff Koons e David Hockney, compradas em galerias de elite como Gagosian e Pace.
Enquanto credores e vítimas aguardam ressarcimento de um rombo que pode ser o maior da história bancária brasileira, Vorcaro e sua rede tentam blindar esse patrimônio via trusts e estruturas opacas, expondo a clássica fórmula do criminoso de colarinho branco: enriquecer às custas alheias, viver como rei em paraísos fiscais e deixar o povo pagar a conta, uma afronta que o liquidante agora combate para repatriar ao menos R$ 4,8 bilhões em ativos suspeitos e evitar que a impunidade transforme fraude em herança familiar.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Divulgação