VORCARO NEGOCIA DELAÇÃO E PODE CITAR POLÍTICOS E RELAÇÕES COM O STF

REDAÇÃO

Ex-dono do Banco Master trata acordo com PF e PGR enquanto investigadores exigem colaboração ampla e provas

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso preventivamente por fraudes financeiras, está negociando uma delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A proposta formal deve ser apresentada em abril de 2026, segundo informações publicadas nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, pelo G1.
Vorcaro deve delatar pelo menos dois operadores em posição hierárquica superior no esquema de fraudes bancárias, além de citar políticos — estimativas indicam que o número pode chegar a 15 ou mais, incluindo deputados e senadores. Ele também terá de esclarecer suas relações com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. O caso já envolve conexões conhecidas, como valores recebidos pelo escritório da esposa de Moraes e vínculo familiar de Toffoli com negócio ligado ao universo do Banco Master.
As negociações avançaram após Vorcaro trocar de advogados, ser transferido para a superintendência da PF em Brasília e assinar termo de confidencialidade com PF e PGR. Investigadores, incluindo o ministro André Mendonça (relator no STF), exigem que a delação seja completa, sem exceções ou caráter seletivo, com provas inéditas e indicação de recursos para recuperação de valores. Uma delação parcial dificilmente seria homologada.
O caso gerou tensão em Brasília, com temor em setores do Congresso e do Judiciário. Há disputa entre PF e PGR sobre a condução do acordo. Fontes próximas a Vorcaro negam intenção de fazer delação seletiva, mas o conteúdo exato — especialmente sobre os operadores acima dele e as relações com os ministros — só deve ficar claro se e quando o acordo for formalizado. Vorcaro está preso por esquema que envolvia inflar patrimônio e desviar recursos por meio de fundos.
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