Relatório aponta possíveis crimes ligados a fraudes em crédito consignado envolvendo aposentados
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), demonstra mais uma vez coragem institucional ao incluir no relatório final o pedido para que a Polícia Federal investigue Leila Pereira, presidente do Palmeiras e da Crefisa, por cinco crimes graves relacionados às fraudes bilionárias em consignados que vitimaram aposentados e pensionistas.
Enquanto a empresária conseguiu, com apoio de decisões judiciais do STF, sucessivos adiamentos e até habeas corpus para evitar depoimento na comissão, mesmo após a Crefisa ter dominado 25 dos 26 lotes de um pregão com suspeitas de irregularidades, procedimentos incorretos e prejuízos diretos aos beneficiários, Gaspar se recusa a deixar o caso ser varrido para debaixo do tapete.
Em vez de se curvar à blindagem típica que protege grandes operadores financeiros próximos ao poder, o relator cobra apuração séria de condutas que incluem desde gestão fraudulenta até inserção de dados falsos, furto qualificado e outros ilícitos que ajudaram a transformar o crédito consignado em um mecanismo de exploração dos mais vulneráveis.
Essa postura contrasta com a leniência costumeira do sistema: enquanto idosos perdem parte de seus parcos benefícios em descontos indevidos, figuras poderosas do mundo dos negócios e do futebol conseguem se esquivar de prestar esclarecimentos.
O pedido de investigação de Leila Pereira reforça que a CPMI, apesar das interferências externas, cumpriu parte de seu papel ao não se intimidar com nomes de peso e ao apontar que ninguém, nem mesmo quem ostenta o prestígio de presidir um clube de torcida apaixonada, está acima da lei quando se trata de lesar aposentados.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Divulgação