MENÇÃO A FREI CHICO SEM INDICIAMENTO NA CPMI DO INSS GERA CRÍTICAS
REDAÇÃO
Relatório cita irmão de Lula, mas decisão de não incluí-lo entre indiciados provoca reação de parlamentares
A decisão da CPMI do INSS de mencionar Frei Chico, irmão do presidente Lula, no relatório final sem incluí-lo na lista de indiciados representa mais um capítulo constrangedor de blindagem familiar e seletividade política no Congresso brasileiro.
Como vice-presidente do Sindnapi, entidade cujos endereços foram alvo da Operação Sem Desconto da Polícia Federal por suspeitas de fraudes bilionárias em descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas, Frei Chico ocupava posição hierárquica relevante numa das organizações investigadas, o que justificaria, no mínimo, convocação e aprofundamento de apurações para esclarecer eventuais omissões ou responsabilidades.
No entanto, a base governista, com votações apertadas como 19 a 11, sistematicamente rejeitou todos os requerimentos de convocação, priorizando acordos políticos em detrimento da transparência e da defesa dos idosos lesados.
Esse não indiciamento, mesmo com menção no relatório, cheira a proteção explícita: enquanto centenas de nomes foram apontados para o Ministério Público, o parente próximo do mandatário escapa ileso, reforçando a percepção de que, no Brasil, a proximidade com o poder ainda funciona como salvo-conduto eficaz contra investigações incômodas.
A impunidade seletiva não só desmoraliza o trabalho da comissão como perpetua a desconfiança de que fraudes contra os mais vulneráveis, os aposentados, importam menos quando envolvem o clã petista.
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