LULA MANTÉM APOIO A BACHELET PARA A ONU MESMO APÓS CHILE RECUAR

REDAÇÃO

Governo brasileiro insiste na candidatura enquanto nova gestão chilena considera cenário internacional desfavorável

Enquanto o Chile, sob o novo governo de José Antonio Kast, recuou de forma pragmática da candidatura de Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da ONU, reconhecendo o contexto desfavorável, a dispersão de nomes latino-americanos e divergências com atores relevantes, o presidente Lula reafirma o apoio brasileiro com obstinação ideológica, mantendo a costura iniciada com México e o antigo governo de esquerda em Santiago. 
Essa insistência expõe uma diplomacia brasileira cada vez mais desconectada da realidade: em vez de priorizar interesses nacionais ou uma escolha meritória amplamente consensual para liderar uma instituição em crise, o governo petista parece apostar em uma agenda de “primeira mulher latino-americana” que serve mais como sinalização esquerdista do que como estratégia viável, ignorando o claro sinal de inviabilidade dado pelo próprio país da candidata e transformando a ONU em palco de projeções políticas internas. 
Essa postura reforça a imagem de um Brasil que, em vez de atuar como ponte ou mediador maduro, insiste em alinhamentos automáticos à esquerda regional, mesmo quando o vento geopolítico muda, um luxo que o país, com suas próprias vulnerabilidades, dificilmente pode se dar.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Divulgação