92 MORTOS E 1 MILHÃO DE AFETADOS: A TRAGÉDIA ANUNCIADA QUE MINAS INSISTE EM IGNORAR

REDAÇÃO

Minas Gerais registra mais de 1 milhão de afetados no pior período chuvoso em duas décadas, com críticas à falta de infraestrutura e planejamento urbano

Enquanto o período chuvoso 2025/2026 se encerra em Minas Gerais com 92 mortos e mais de 1 milhão de pessoas afetadas, o pior balanço em duas décadas, o que resta é o retrato doloroso de uma tragédia anunciada e politicamente tolerada: desabrigados vivendo em abrigos improvisados, casas e comércios destruídos pela força das águas, ruas transformadas em rios de lama e vidas ceifadas em deslizamentos que engoliram bairros inteiros, especialmente na Zona da Mata. 
O que transforma chuvas intensas, por mais extremas que sejam, em catástrofe com dezenas de óbitos não é apenas a natureza, mas a omissão crônica dos governos estadual e municipais: investimentos em prevenção, drenagem, contenção de encostas e ordenamento urbano despencaram nos últimos anos, enquanto ocupações irregulares em áreas de risco proliferam sob olhar complacente de autoridades que preferem distribuir cestas básicas e decretar calamidade após o desastre a enfrentar o custo político de relocar famílias e cobrar responsabilidade de construtoras e loteadores. 
Mais uma vez, os mais pobres pagam com a vida o preço da incompetência e do populismo que adia obras essenciais, repete discursos de solidariedade e deixa o pagador de impostos financiar a reconstrução emergencial, ciclo vicioso que se repete a cada verão, transformando Minas num laboratório de lições não aprendidas.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação