LULA PREPARA “PACOTÃO DE BENESSES” DO COMBUSTÍVEL À CONTA DE LUZ PARA CONTER DESAPROVAÇÃO RECORDE A SEIS MESES DA ELEIÇÃO DE 2026

REDAÇÃO

Governo articula subsídios para combustíveis, energia e dívidas em meio à queda de popularidade e pressão internacional sobre preços

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula um pacote de medidas econômicas e sociais para reverter a pior avaliação de seu terceiro mandato às vésperas da campanha eleitoral. Segundo reportagem de O Globo, o governo prepara intervenções que vão desde o controle de preços de combustíveis até subsídios na conta de luz, passando por renegociação de dívidas e alívio em impostos sobre importações. A estratégia é clássica: usar a máquina pública para melhorar o humor do eleitorado a seis meses do primeiro turno das eleições de 2026.
A iniciativa surge em momento delicado. Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada recentemente aponta 51% de desaprovação e apenas 43% de aprovação ao governo — o primeiro saldo negativo para um governo petista neste estágio da campanha, ao contrário do que ocorreu em 2006, 2010 e 2014. A volatilidade internacional, especialmente a alta do petróleo provocada pela guerra no Irã, agravou o cenário e pressionou preços no bolso do brasileiro.
Principais medidas do pacotão
De acordo com fontes do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda, o pacote inclui:Combustíveis: subsídio ao diesel em parceria com os estados e controle de repasses da Petrobras para evitar repasse integral da alta internacional do barril. Medidas semelhantes já foram anunciadas em março, com impacto estimado em R$ 30 bilhões até o fim de 2026.
Gás de cozinha: ampliação do programa Gás do Povo (que já beneficia 15 milhões de famílias) com nova subvenção federal diante da dependência de importações.
Conta de luz: aporte extra para conter reajustes, na linha do programa Luz do Povo lançado em 2025.
Renegociação de dívidas: novo Desenrola com descontos de até 80%, após o endividamento familiar ter atingido recorde (R$ 29 de cada R$ 100 do orçamento vão para parcelas).
Outras ações: reversão da “taxa das blusinhas” (imposto de importação abaixo de US$ 50), suspensão de multas por evasão no pedágio free flow, manutenção da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e promessa de acabar com a escala 6×1 no trabalho.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, cobrou publicamente maior divulgação das realizações econômicas durante reunião ministerial recente, enquanto Lula tem atribuído parte da insatisfação a “pequenas dívidas acumuladas” e a “gente mau caráter” que eleva preços no mercado.
Contexto eleitoral de 2026
O timing não é casual. O prazo de desincompatibilização terminou no sábado (4 de abril), com 17 ministros deixando o governo para disputar cargos. A corrida presidencial já esquenta: Lula busca a reeleição, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece tecnicamente empatado em vários cenários de segundo turno. Pesquisas recentes (Datafolha e Quaest) mostram que a rejeição ao governo é o principal combustível da oposição.
Especialistas ouvidos por grandes veículos veem na iniciativa um “kit reeleição” similar ao usado por Jair Bolsonaro em 2022 (Auxílio Brasil de R$ 600, vale-gás e auxílios emergenciais) e por Dilma Rousseff em 2014 (aumento do Bolsa Família e correções no IR). O cientista político Carlos Melo (Insper) avalia que, embora a estratégia seja recorrente, “as eleições de hoje são de rejeição”: pacotes pontuais podem amenizar o humor imediato, mas não substituem uma narrativa de futuro que convença o eleitorado.
Reações e críticas
Nas redes sociais, o anúncio do “pacotão” dividiu opiniões. Críticos falam em “compra de votos” e alertam que o custo fiscal — estimado em dezenas de bilhões — será pago pelo contribuinte via impostos ou inflação futura. Aliados do governo defendem que as medidas protegem o poder de compra em meio a turbulências externas.
O tema ganha ainda mais relevância porque o STF deve julgar nas próximas semanas pautas sensíveis que podem influenciar o clima eleitoral, como o formato da eleição suplementar no Rio de Janeiro. Com a janela partidária encerrada e pré-candidaturas sendo oficializadas (como a de Cabo Daciolo pelo Mobiliza), o pacotão marca a largada efetiva da campanha de Lula.
A reportagem de O Globo foi repercutida por veículos como G1, Poder360 e Estadão, que acompanham o dia a dia da articulação governista. O Planalto ainda não divulgou o pacote completo oficialmente, mas assessores confirmam que os anúncios devem ocorrer nas próximas semanas, antes do início formal da propaganda eleitoral.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Reprodução