Documentos da Receita apontam repasses milionários a ex-autoridades, levantando questionamentos sobre influência em meio ao colapso da instituição
No mais recente capítulo do escândalo que levou à liquidação do Banco Master por fraudes bilionárias investigadas pela Polícia Federal, documentos da Receita Federal revelam que a instituição declarou ao menos R$ 35 milhões em pagamentos a figuras proeminentes da política e do Judiciário brasileiro, incluindo o ex-presidente Michel Temer, que levou R$ 10 milhões via escritório, o ex-ministro Guido Mantega, que ganhou R$ 8 milhões, o ex-ministro Ricardo Lewandowski, que levou R$ 2,3 milhões ao escritório com familiares, o presidente do União Brasil Antônio Rueda, com pagamento de R$ 1 milhão, e o ex-prefeito ACM Neto, que angariou R$ 1,8 milhão via consultoria.
Políticos e envolvidos afirmam tratar-se de valores legítimos por “serviços prestados” em contratos de consultoria e advocacia assinados com o banco de Daniel Vorcaro, que, no entanto, desabou sob acusações de carteiras de crédito falsas, tentativas de influência junto ao Banco Central e até encontro com o presidente Lula intermediado por Mantega, mas o volume e o timing desses repasses, concentrados em ex-autoridades com trânsito no poder, alimentam suspeitas de que serviam menos a expertise técnica e mais a uma rede de proteção e influência em meio à crise da instituição.
Num país já marcado por sucessivos escândalos de corrupção, essa teia de contratos milionários entre um banco falido e a elite político-jurídica expõe, mais uma vez, a fragilidade ética das “portas giratórias” e o risco permanente de que o dinheiro privado compre não só serviços, mas acessos e silêncios no coração do Estado.
Texto: Rodolfo Oliveira
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