Diferença entre datas no sistema municipal e óbito sob custódia da PF gera questionamentos sobre registros oficiais
A Prefeitura de Belo Horizonte registrou o sepultamento de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, em seu sistema oficial de cemitérios um mês antes da data oficial de sua morte, confirmada em março após suposto suicídio na cela da Polícia Federal.
Essa discrepância absurda, exposta em consulta pública ao site da administração municipal, alimenta sérias dúvidas sobre a transparência e a cronologia dos fatos em um caso já cercado de controvérsias: um homem preso em operação da PF, apontado como operador de inteligência e intimidação no escândalo do Banco Master, morre sob custódia do Estado, passa por protocolo de morte encefálica, mas o registro administrativo indica que o corpo já estaria debaixo da terra semanas antes.
Seja falha grosseira da burocracia pública, erro de digitação ou algo mais grave, como manipulação de datas para encobrir inconsistências na investigação interna da PF, o episódio expõe a precariedade do sistema de registros oficiais e a falta de rigor com que o poder público trata a morte de um investigado de alto perfil.
Em vez de clareza, o que se tem é mais combustível para teorias conspiratórias, reforçando a percepção de que, no Brasil, até o óbito de um “Sicário” pode vir com data de validade duvidosa.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação