Paulo Gonet afirma que não há elementos suficientes para abertura de inquérito, enquanto apurações seguem em outras frentes
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sinalizou nesta sexta-feira que não enxerga indícios suficientes de crimes para abrir investigação contra ministros do Supremo Tribunal Federal no escândalo do Banco Master, mesmo diante das crescentes revelações sobre conexões entre magistrados da mais alta corte do país e o empresário Daniel Vorcaro.
Em entrevista, Gonet afirmou categoricamente que “investigação pressupõe indício de crime”, minimizando o peso das apurações que já expuseram relações comerciais, viagens em jatos privados, contratos milionários e contatos diretos envolvendo nomes como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro agora preso e em negociação para delação premiada.
A posição da Procuradoria-Geral da República reforça uma linha de conduta que vem sendo duramente questionada por parlamentares da oposição, veículos de imprensa e até por vozes dentro do próprio sistema de Justiça. Enquanto a Polícia Federal avança nas investigações sobre fraudes bilionárias no Banco Master, a PGR tem arquivado representações sucessivas contra os ministros, alegando falta de “lastro probatório mínimo” — mesmo com relatos de voos compartilhados, contratos de R$ 129 milhões firmados pelo escritório da esposa de Moraes com a instituição financeira e menções diretas encontradas no celular de Vorcaro.
Críticos veem na postura de Gonet, indicado pelo presidente Lula e com laços próximos a integrantes da ala mais ativa do STF, uma relutância excessiva em confrontar os próprios magistrados que ele costuma frequentar em eventos e ambientes sociais. A omissão ganha contornos ainda mais problemáticos à medida que Vorcaro, detido preventivamente, avança em tratativas para colaborar com a Justiça, o que poderia trazer à tona novos elementos incômodos sobre o envolvimento de togas no esquema.
Enquanto isso, o relator do caso no Supremo, ministro André Mendonça, tem demonstrado maior disposição para aprofundar as apurações, inclusive criticando publicamente a lentidão da PGR em pedidos de prisão. A tensão institucional expõe um desconforto evidente: de um lado, a expectativa da sociedade por igualdade no cumprimento da lei; de outro, a resistência em submeter membros do STF a escrutínio rigoroso, como se aplicasse a cidadãos comuns.
Até o momento, a avaliação oficial da Procuradoria é de que nada justifica o início de uma investigação formal contra os ministros. Resta saber se a eventual delação de Daniel Vorcaro será suficiente para romper essa barreira ou se o caso Master seguirá como mais um episódio em que as conexões de poder parecem prevalecer sobre a transparência e a accountability.
Foto: STF