PRESSÃO POLÍTICA NA PGR? GONET CRIA OBSTÁCULOS PARA DELAÇÃO DE VORCARO NO CASO MASTER

REDAÇÃO

Impasse envolvendo a Procuradoria-Geral da República sob comando de Paulo Gonet levanta dúvidas sobre avanço de acordo com Daniel Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República, sob comando de Paulo Gonet, está impondo obstáculos significativos à delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira na coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo.
Fontes próximas à defesa do banqueiro relatam que a instituição tem endurecido excessivamente as condições para o acordo, criando um ambiente de impasse que ameaça atrasar ou até inviabilizar a colaboração. A percepção é de que pressões políticas e do próprio governo influenciam o ritmo das negociações, erguendo um muro diante de uma proposta que inclui dezenas de anexos e a oferta de ressarcimento bilionário aos cofres públicos — com valores que chegam a dezenas de bilhões de reais ao longo de uma década, além de pagamento imediato a fundos de pensão prejudicados.
A delação de Vorcaro vinha sendo construída em tratativas com a Polícia Federal e a PGR, com expectativa de entrega de informações relevantes sobre o esquema do Banco Master. No entanto, a rigidez demonstrada pela Procuradoria agora contrasta com o avanço inicial das conversas e levanta questionamentos sobre o real interesse em esclarecer os fatos até o fim. Críticos veem no comportamento de Gonet uma postura excessivamente cautelosa — ou seletiva — que pode proteger figuras com foro privilegiado e enfraquecer o combate à corrupção em casos de grande repercussão.
O impasse ocorre em um momento sensível, com a homologação do eventual acordo cabendo ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Enquanto a defesa acelera a finalização da proposta, a PGR parece determinada a impor condições mais duras do que o esperado, o que pode resultar em um atraso indesejado para a sociedade, ansiosa por transparência sobre os desvios bilionários investigados.
Até o momento, nem a PGR nem o procurador-geral Paulo Gonet se manifestaram publicamente sobre as dificuldades apontadas na reportagem.
Foto: STF