PARTIDO DOS TRABALHADORES DECLARA APOIO A EDUARDO PAES NO RIO E LANÇA BENEDITA AO SENADO

REDAÇÃO

PT do Rio formaliza aliança com PSD, lança Benedita ao Senado e defende eleições diretas após crise política no estado

Rio de Janeiro, 19 de abril de 2026:
O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio de Janeiro aprovou, por unanimidade, o apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo do estado nas eleições de outubro de 2026. Na mesma reunião, realizada neste sábado (18), o partido oficializou a deputada federal Benedita da Silva (PT) como candidata titular ao Senado Federal, com Felipe Pires (líder do PT na Câmara Municipal do Rio) como primeiro suplente e o pastor e cantor gospel Kleber Lucas como segundo suplente.
A decisão consolida uma aliança entre o PT e o PSD no Rio, transformando a campanha de Paes no principal palanque estadual para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em nota divulgada nas redes sociais, o PT-RJ destacou que a escolha reflete “um processo de construção coletiva e o compromisso do partido com a unidade em torno de um projeto para o Rio de Janeiro”.
Defesa de eleições diretas para o mandato-tampão
Durante o encontro, os petistas também debateram o conturbado cenário político fluminense após a renúncia e posterior cassação do mandato do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do então presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil).
O PT posicionou-se favorável à realização de eleições diretas para preencher o mandato-tampão no Palácio Guanabara, argumentando que essa é “a alternativa mais adequada” por “assegurar a participação popular e o pleno respeito aos princípios democráticos”. “Somente o povo pode definir o melhor rumo para o Estado do Rio de Janeiro”, afirmou o partido em nota.
O tema ganha relevância porque, nesta sexta-feira (18), a Alerj elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Casa. Há um movimento para que ele assuma interinamente o governo, atualmente ocupado pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio. O grupo ligado a Eduardo Paes busca evitar essa posse e defende a convocação de eleições diretas. A decisão final caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF), cujo julgamento está suspenso por pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Benedita da Silva e o apelo evangélico
A indicação de Benedita da Silva ao Senado reforça a estratégia do PT de ampliar seu alcance em setores tradicionalmente distantes da legenda. Em fevereiro, a deputada gravou vídeo se apresentando como “mulher de fé” e “evangélica há mais de 60 anos”, em uma tentativa de responder a críticas recebidas por Lula durante o carnaval, quando alas da escola Acadêmicos de Niterói geraram polêmica com temas religiosos.
No vídeo, Benedita criticou a direita por plantar “medo, divisão e mentiras” e destacou realizações do governo federal, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e os programas de distribuição de renda, saúde e educação.
A nota final do PT-RJ sintetizou o espírito da reunião: “Com definição da chapa ao Senado, posicionamento sobre o cenário político do Rio e encaminhamentos importantes para a comunicação partidária, seguimos firmes, com unidade e direção, construindo o caminho para continuar mudando o Brasil”.
Contexto eleitoral
A aliança PT-PSD no Rio ocorre em um momento em que Eduardo Paes aparece como favorito nas pesquisas para o governo estadual. Douglas Ruas, apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), surge como um dos principais adversários na disputa.
A formalização da chapa ao Senado com Benedita da Silva também sinaliza a intenção do PT de manter presença forte na representação federal fluminense, mesmo sem lançar candidato próprio ao governo. A decisão foi recebida com unidade interna, embora tenha havido relatos de pequenas divergências sobre a escolha dos suplentes.
O PT enfatiza que o foco principal é garantir um palanque robusto para Lula no estado e derrotar o bolsonarismo “em seu berço”.
A matéria continua em desenvolvimento conforme evoluem as articulações para as eleições de 2026 e o desfecho da crise institucional no Rio de Janeiro.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Reprodução