“AÇÃO JUDICIAL TRUCULENTA, DIGNA DE REGIME DE EXCEÇÃO”; EMPRESÁRIO DENUNCIA TRUCULÊNCIA DE MORAES

REDAÇÃO

Alvo da operação exfil, Marcelo Conde diz que medida é abusiva e questiona condução do inquérito

O empresário Marcelo Conde, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, negou qualquer envolvimento em esquema de vazamento de dados sigilosos e classificou a ação judicial determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como truculenta e digna de regime de exceção.
Conde é alvo de mandado de prisão preventiva no âmbito da Operação Exfil, deflagrada pela Polícia Federal em 1º de abril de 2026.
A investigação apura acessos irregulares a informações fiscais protegidas de ministros do STF, do procurador-geral da República e de seus familiares, incluindo a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em nota divulgada nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, o empresário afirmou que nunca atuou ou participou de qualquer organização voltada à obtenção de dados sigilosos. Ele contestou o mandado de prisão, alegando não estar foragido e não ter tido acesso à decisão judicial, o que, segundo ele, compromete seu direito de defesa. “Essa recusa me impede de me defender e fere diversas garantias que nenhum cidadão deveria ter de reivindicar em uma democracia. Nesta ação judicial truculenta, digna de regime de exceção, eu e minha família fomos surpreendidos por uma operação de busca e apreensão e por uma exposição avassaladora à imprensa, ao que consta, orientada pelo ministro Alexandre de Moraes”, disse o empresário na nota.
Conde criticou ainda o fato de o magistrado acumular os papéis de investigador, acusador, juiz e ofendido em inquérito sigiloso relacionado a suposto vazamento de dados fiscais de sua esposa. Ele ressaltou que pretende se defender com base no devido processo legal, na ampla defesa e na imparcialidade jurisdicional.
A operação autorizada por Moraes cumpriu um mandado de prisão e seis de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Polícia Federal investiga indícios de que Conde teria encomendado dados sigilosos, incluindo informações sobre parentes do ministro, ao contador Washington Travassos de Azevedo, que já foi preso em fase anterior da apuração. De acordo com elementos da investigação, o empresário teria fornecido lista de CPFs e pago quantia em espécie para obter declarações fiscais de forma ilícita.
Os acessos irregulares na Receita Federal envolveram mais de 1.800 contribuintes, entre autoridades públicas, magistrados e empresários. Dados vazados foram usados em reportagens que expuseram contratos e informações financeiras de familiares de ministros. O inquérito tramita em sigilo e está vinculado ao inquérito das fake news, aberto em 2019 e ainda inconcluso, com Moraes como relator. O ministro determinou que a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras apresentem explicações sobre os acessos indevidos, com possibilidade de novas perícias e quebras de sigilo.
Além da prisão, foram aplicadas medidas cautelares aos alvos, como monitoramento eletrônico, afastamento de funções públicas, cancelamento de passaportes e proibição de saída do país. O Supremo considera Conde foragido desde o início de abril.
A defesa do empresário afirma que a operação causou danos à sua reputação e à de sua família, com apreensão de dispositivos eletrônicos de parentes, mesmo quando os mandados indicavam apenas o nome dele como destinatário. O caso ganhou repercussão após reportagens revelarem contratos firmados pelo escritório de advocacia de Viviane Barci, incluindo um de alto valor com instituição financeira. A investigação sobre os vazamentos teve início após determinação de Moraes para rastreamento de acessos irregulares nos sistemas da Receita. Até o momento, não há informações atualizadas sobre o paradeiro de Marcelo Conde ou sobre novos desdobramentos da operação. A apuração continua em curso no âmbito do Supremo Tribunal Federal.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Reprodução