COAF IDENTIFICA MOVIMENTAÇÕES DE R$ 11,5 MILHÕES LIGADAS À J&F E JBS

REDAÇÃO

Relatórios classificam operações como atípicas e caso segue sob análise de autoridades

Uma série de movimentações financeiras atípicas envolvendo a J&F Investimentos e a JBS chamou a atenção de órgãos de controle e passou a ser investigada após relatórios do COAF.
Transferências sob suspeita
De acordo com informações divulgadas por veículos como o Terra, em dezembro de 2023 foram transferidos cerca de R$ 11,5 milhões para um escritório de advocacia em Goiânia. O ponto que levantou suspeitas foi o perfil da empresa: o escritório teria faturamento mensal próximo de R$ 9 mil e operaria em uma sala compartilhada.
Ainda segundo os dados analisados, parte dos valores — aproximadamente R$ 3,5 milhões — foi repassada a um advogado identificado como Paulo Humberto Barbosa, profissional que presta serviços à JBS desde 2008.
O COAF classificou as operações como “atípicas”, padrão utilizado quando há indícios de possível ocultação ou dissimulação de recursos, embora isso não configure automaticamente crime.
Ligação com resort de luxo no Paraná
O nome de Paulo Humberto Barbosa também aparece como atual controlador do Tayayá Resort, empreendimento de alto padrão localizado em Ribeirão Claro (PR).
A conexão com o caso ganhou destaque porque o advogado adquiriu, em fevereiro de 2025, participações no resort que pertenciam a familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.
Entre os antigos sócios estavam irmãos e um primo do magistrado. A negociação envolveu valores milionários e foi declarada como realizada a preço de mercado, segundo as partes envolvidas.
Aportes adicionais e questionamentos
Reportagens de outros veículos, como o Estadão, apontam que a J&F teria destinado cerca de R$ 25,9 milhões a uma empresa ligada ao advogado (PHB Holding), justificando os pagamentos como honorários por serviços jurídicos.
Esse tipo de operação, no entanto, costuma ser analisado com cautela por autoridades, especialmente quando envolve estruturas empresariais de baixa capacidade operacional intermediando valores elevados.
Investigações em andamento
O caso aparece dentro de um contexto mais amplo de apurações financeiras que também envolvem o chamado “caso Banco Master” e agentes do mercado financeiro.
Até o momento, não há denúncia formal ou condenação relacionada diretamente a essas movimentações. Tanto a J&F quanto os demais envolvidos afirmam que os valores correspondem a pagamentos legítimos por serviços prestados e negam qualquer irregularidade.
Contexto e próximos passos
Especialistas apontam que operações com características semelhantes — uso de empresas com baixa atividade para movimentar grandes quantias — são frequentemente analisadas em investigações de lavagem de dinheiro. No entanto, a confirmação de ilegalidades depende de aprofundamento das investigações e eventual ação judicial.
O caso segue em apuração, e novos desdobramentos podem surgir conforme autoridades avancem na análise das movimentações financeiras e das relações entre os envolvidos.
Foto: FolhaPress