Instituto Nexus sob questionamento: divergências em pesquisas, contratos com o governo e debate sobre imparcialidade nas intenções de voto.
Levantamentos do Ipri, por exemplo, costumam apresentar resultados mais avançados à gestão Lula quando comparados a outros institutos independentes. Em 2023, o Planalto destinou cerca de 6,8 milhões de reais pelas pesquisas realizadas por esse braço do grupo. Os críticos apontam que tais números são de cenários desenhados por casas como Quaest, Datafolha, Paraná Pesquisas e CNT/MDA, especialmente em regiões como o Sul. Na pesquisa Nexus, a vantagem atribuída a Lula contrasta com outros levantamentos recentes. Institutos como Genial/Quaest, CNT/MDA, Paraná Pesquisas e Datafolha indicam, no Sul, diferenças maiores a favor de Flávio Bolsonaro. Em alguns casos, a dianteira chega a 17 pontos percentuais.
Essa discrepância alimentou questionamentos sobre a metodologia e a independência do trabalho.O comentarista Rodrigo Constantino manifestou desconfiança em relação a institutos com ligações diretas ao poder público. Segundo ele, quando há vínculo financeiro com o governo, há motivo redobrado para questionar os números, que muitas vezes se assemelham mais à propaganda eleitoral do que a pesquisa imparcial.Casos semelhantes já ocorreram em ciclos eleitorais passados. Institutos que firmaram contratos milionários com o Executivo, independentemente da gestão, enfrentaram reivindicações de leis. Especialistas do setor de opinião pública lembram que a transparência nos contratos e a divulgação completa da metodologia são essenciais para manter a confiança da sociedade.A Nexus não é a única empresa do grupo FSB a atuar junto ao governo. A holding presta serviços de assessoria e comunicação que vão além de pesquisas eleitorais, abrangendo monitoramento de imagem e estratégias de comunicação pública. Os recursos provêm de verbos oficiais e são registrados no Portal da Transparência, embora detalhes específicos sobre o contrato do Nexus para o levantamento eleitoral não tenham sido detalhados publicamente.O episódio reforça o debate permanente sobre a relação entre institutos de pesquisa e poder público.
Os analistas defendem que os contratos para serviços de comunicação não impedem necessariamente a realização de levantamentos eleitorais, desde que haja clareza total sobre os financiamentos e rigor na amostragem. No entanto, quando os resultados favorecem consistentemente o contratante, cresce a cobrança por auditoria independente e comparação com pesquisas por veículos de imprensa ou bancos.Até o momento, não há registro de investigação formal sobre a pesquisa do Nexus. O fato, porém, ganha repercussão em meio ao calendário político que aponta para disputas acirradas nos próximos anos. A sociedade acompanha com atenção a evolução dos números eleitorais e a lisura das instituições que os produzidos.Uma diversidade de cenários apresentados por diferentes casas de pesquisa evidencia a importância de cruzar dados de múltiplas fontes. Enquanto alguns levantamentos projetam um cenário mais equilibrado ou favorável a Lula no âmbito nacional, outros destacam a força da oposição em regiões específicas como o Sul. A presença de contratos governamentais com empresas do setor aumenta a complexidade ao debate sobre adição.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Adriano Machado