PF PEDE MAIS TEMPO PARA INVESTIGAR ESCÂNDALO BILIONÁRIO DO BANCO MASTER: O QUE AINDA ESTÁ ESCONDIDO?

REDAÇÃO

Complexidade das provas e novas fases da operação levam pf a solicitar prorrogação do inquérito

A Polícia Federal trabalha internamente em um novo pedido de prorrogação do inquérito que apura as fraudes bilionárias no Banco Master, conhecido como Caso Master. Segundo fontes ligadas à investigação, o prazo atual do inquérito vence em meados de maio e os investigadores consideram que o material acumulado ainda é volumoso demais para ser concluído no tempo restante.
O caso, que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e irregularidades na tentativa de venda de carteiras de crédito para o BRB (Banco de Brasília), continua a se expandir com novas fases da Operação Compliance Zero. A PF avalia que a complexidade das provas — incluindo milhares de documentos, celulares apreendidos e análises pendentes de perícia — justifica mais tempo para o aprofundamento das apurações.
O Caso Master ganhou repercussão nacional após a Polícia Federal deflagrar sucessivas fases da Operação Compliance Zero. As investigações apontam para um suposto esquema de fraudes que teria movimentado bilhões de reais em ativos de baixa qualidade, conhecidos no mercado como “títulos podres”, com indícios de lavagem de dinheiro, corrupção e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, foi preso preventivamente em uma das fases da operação. Além dele, outras figuras de destaque no sistema financeiro brasileiro, incluindo ex-executivos do BRB e operadores financeiros, entraram no radar da PF. A transação investigada envolvia a transferência de aproximadamente R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master para o BRB, operação que acabou barrada pelo Banco Central.
As investigações revelaram um cenário preocupante, com falhas graves de governança, ocultação de patrimônio por meio de fundos e empresas de fachada e até o uso de imóveis de luxo e jatinhos particulares como supostas formas de propina.
De acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (4), os investigadores avaliam que o prazo atual é insuficiente diante do grande volume de documentos e aparelhos celulares apreendidos nas últimas fases da operação. Ainda há perícias complexas em andamento, cruzamento de dados de sigilos bancários e telefônicos recém-quebrados, além da análise de conversas e transações que podem indicar o pagamento de propina.
Fontes próximas à Polícia Federal afirmam que o novo pedido de prorrogação, possivelmente por mais 60 dias, deve ser encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal. Nas prorrogações anteriores, autorizadas por Mendonça e, antes dele, por Dias Toffoli, o STF tem entendido que a complexidade do caso justifica a extensão do prazo.
Além das análises técnicas, a PF também avalia possíveis propostas de delação premiada por parte de investigados. Um acordo de colaboração poderia acelerar a elucidação dos fatos, mas exige tempo para negociação e validação das informações fornecidas.
A Operação Compliance Zero já conta com múltiplas fases. As etapas iniciais focaram nas fraudes internas do Banco Master e na venda irregular de carteiras. A terceira fase resultou na prisão de Daniel Vorcaro. Já a quarta fase, deflagrada em abril de 2026, levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do advogado Daniel Monteiro, apontado como operador do esquema, além de bloqueios de bens que chegaram a dezenas de milhões de reais.
A cada nova etapa, o escândalo ganha contornos maiores, envolvendo não apenas fraudes financeiras, mas também suspeitas de corrupção no alto escalão do sistema bancário brasileiro.
O Caso Master também gera impactos relevantes no mercado financeiro e no cenário político. O BRB, banco público do Distrito Federal, viu sua reputação abalada após a operação e precisou firmar acordos para transferir ativos problemáticos, além de enfrentar questionamentos sobre seus controles internos e práticas de governança.
Para o mercado financeiro como um todo, o caso reforça a necessidade de maior rigor nas operações de compra de carteiras de crédito e na realização de due diligence. Analistas avaliam que o episódio pode levar a uma revisão de práticas de compliance, especialmente em bancos médios e instituições públicas.
Do ponto de vista político, o envolvimento de agentes públicos e a centralidade do caso em Brasília ampliam o interesse de parlamentares e do governo federal, que acompanham de perto os desdobramentos da investigação.
Caso o ministro André Mendonça autorize a nova prorrogação, a Polícia Federal ganhará mais tempo para concluir perícias, ouvir novas testemunhas e eventualmente avançar em acordos de colaboração. O relatório final do inquérito poderá resultar em denúncias por parte do Ministério Público Federal contra os principais envolvidos.
Enquanto isso, Daniel Vorcaro e outros investigados permanecem presos ou submetidos a medidas cautelares. A defesa do ex-banqueiro tem contestado as prisões e alegado excessos por parte da Polícia Federal, mas os pedidos de habeas corpus têm sido negados no Supremo Tribunal Federal.
Especialistas ouvidos de forma reservada afirmam que investigações dessa magnitude raramente são concluídas rapidamente, devido ao grande volume de dados e à complexidade das operações financeiras analisadas.
O Caso Master, portanto, está longe de ser encerrado. O novo pedido de prorrogação sinaliza que ainda há lacunas importantes a serem preenchidas e que novas revelações podem surgir nos próximos meses.
O que começou como uma investigação sobre fraudes em um banco de médio porte transformou-se em um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, com potencial para provocar mudanças regulatórias e expor fragilidades estruturais no sistema bancário brasileiro.
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