PF OUVE THIAGO MIRANDA, ACUSADO DE COORDENAR ATAQUES AO BANCO CENTRAL DO BRASIL PARA FAVORECER BANCO MASTER.

REDAÇÃO

Polícia Federal apura suposto esquema milionário de campanhas digitais contra o Banco Central e espera que empresário revele nomes de influenciadores envolvidos

A Polícia Federal ouve nesta terça-feira (12) o empresário Thiago Miranda, dono da agência Mithi Comunicação, em um dos depoimentos considerados mais importantes do inquérito que investiga a contratação de influenciadores digitais e páginas de redes sociais para defender o Banco Master e atacar o Banco Central, integrantes do sistema financeiro e autoridades envolvidas na liquidação da instituição financeira. Miranda é apontado por investigadores como peça central da estrutura conhecida nos bastidores como “Projeto DV”, referência às iniciais do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo informações obtidas por investigadores e confirmadas por reportagens publicadas por veículos como CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Metrópoles e O Globo, a estratégia envolvia a contratação de influenciadores, criadores de conteúdo e perfis de grande alcance nas redes sociais para impulsionar campanhas direcionadas contra o Banco Central e agentes públicos ligados ao caso. A ofensiva teria ocorrido principalmente após o agravamento da crise do Banco Master e a intensificação das discussões sobre a situação financeira da instituição. Os contratos investigados pela PF incluíam cláusulas de confidencialidade e pagamentos milionários, alguns deles chegando à casa de R$ 3,5 milhões em um curto espaço de tempo.
A agência Mithi aparece no centro da investigação por ter sido responsável, segundo a PF, pela intermediação e operacionalização das campanhas digitais. Thiago Miranda já havia sido intimado anteriormente, mas o depoimento acabou adiado. Agora, investigadores esperam que o empresário apresente detalhes sobre a estrutura financeira do esquema, os nomes dos influenciadores envolvidos, os valores pagos e os responsáveis pela coordenação das ações online. Fontes ligadas à investigação afirmam que Miranda sinalizou disposição para colaborar com as autoridades e pode entregar uma lista completa dos perfis e pessoas contratadas no âmbito do “Projeto DV”.
O inquérito foi aberto no fim de janeiro de 2026 e ganhou força após depoimentos de influenciadores e análises de movimentações financeiras consideradas atípicas. A Polícia Federal também apura se houve utilização de contratos de publicidade e comunicação para mascarar pagamentos destinados à disseminação de campanhas coordenadas de desinformação e pressão política contra órgãos reguladores. A investigação busca esclarecer ainda se as ações tinham o objetivo de influenciar decisões institucionais, desgastar autoridades públicas e criar pressão digital favorável ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Nos bastidores, o depoimento desta terça-feira é tratado como um possível ponto de virada no caso. Investigadores avaliam que as informações fornecidas por Thiago Miranda podem ajudar a mapear toda a cadeia de atuação do esquema, incluindo empresas, operadores digitais, influenciadores e intermediários financeiros. A expectativa é que o material entregue à PF possa abrir novas frentes de investigação e levar à convocação de outros envolvidos nas próximas semanas.
Até o momento, nem Daniel Vorcaro nem o Banco Master comentaram oficialmente as novas etapas da investigação. A defesa de Thiago Miranda também não divulgou posicionamento público sobre o depoimento. O caso segue sob sigilo parcial e continua sendo acompanhado de perto por autoridades do sistema financeiro e do mercado, diante da gravidade das suspeitas envolvendo campanhas digitais financiadas para interferir no debate público e institucional em torno da crise do Banco Master.
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