FILME DE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA TEVE APOIO DA ODEBRECHT, JBS E CAMARGO CORRÊA ANTES DOS ESCÂNDALOS, DIZ PRODUTORA.

REDAÇÃO

Escândalo de compadrio: Filme de Lula foi bancado por Odebrecht, JBS e Camargo Corrêa antes dos grandes escândalos

Brasília — Enquanto o PT e seus aliados posam de defensores da “ética” e criticam qualquer apoio privado a produções culturais de direita, vem à tona mais uma vez a constrangedora origem do filme “Lula, o Filho do Brasil”. A cinebiografia oficial do ex-presidente, lançada em 2010 como uma verdadeira hagiografia em vida, foi integralmente financiada por grandes empreiteiras e empresas que, poucos anos depois, estariam no epicentro dos maiores escândalos de corrupção da história do país.
Segundo confirmação da própria produtora ao G1 nesta semana, o longa-metragem de R$ 12 milhões não contou com um centavo de dinheiro público direto — mas foi patrocinado generosamente por nomes como Odebrecht, JBS, Camargo Corrêa, OAS e outras gigantes que mantinham volumosos contratos com o governo federal na época. O dinheiro entrou entre 2008 e 2009, quando Lula ainda era presidente da República com altíssima popularidade.
O detalhe incômodo: naqueles anos, as empresas ainda não haviam sido expostas pela Operação Lava Jato. Os escândalos que revelariam o esquema bilionário de propinas, caixa 2 e corrupção sistêmica só viriam a partir de 2014. Ou seja, quando as doações fluíam para eternizar Lula nas telas, as empreiteiras gozavam de pleno acesso ao poder e de fartos contratos públicos.
Críticos apontam o óbvio: tratou-se de um investimento político disfarçado de mecenato cultural. Um filme panegírico sobre o presidente em exercício, bancado justamente por quem mais se beneficiava do governo petista. Investigações posteriores da Polícia Federal, reveladas ao longo da Lava Jato, chegaram a mapear e-mails e repasses da Odebrecht relacionados ao projeto, reforçando a percepção de troca de favores.
O caso ressurge agora em meio ao debate sobre financiamentos de produções cinematográficas, expondo mais uma vez a hipocrisia dominante no meio cultural e político brasileiro. Quando o patrocínio vai para a esquerda, é “liberdade de expressão” e “apoio à cultura”. Quando beneficia o campo contrário, vira imediatamente “golpe”, “fascismo” ou “interferência”.
O filme “Lula, o Filho do Brasil” não foi apenas uma biografia. Foi propaganda oficial paga por quem lucrou — e muito — com os anos dourados do lulismo. Um clássico exemplo de como o poder político e o dinheiro privado se entrelaçaram durante o período petista no Planalto.
Foto: Divulgação