“NÃO VENDA”: LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA TERIA DITO A VORCARO PARA REJEITAR OFERTA BILIONÁRIA DO BTG PACTUAL.

REDAÇÃO

Reunião reservada entre Lula e Daniel Vorcaro sobre futuro do Banco Master gera críticas e questionamentos políticos

Brasília – Em uma reunião fora da agenda oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aconselhou pessoalmente o banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, a rejeitar uma proposta de venda ao BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. O encontro ocorreu em 4 de dezembro de 2024 no Palácio do Planalto, em meio a crescentes dificuldades financeiras e investigações sobre a instituição.
De acordo com apurações do Poder360 e de outros veículos, Vorcaro buscava orientação sobre a oferta do BTG, que previa a aquisição do banco por valor simbólico. Lula, no entanto, teria recomendado que o banqueiro não vendesse o controle do Master, argumentando contra a operação. Participaram do encontro o ex-ministro Guido Mantega — que atuava como interlocutor e consultor do banco —, o então indicado para a presidência do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ministro Rui Costa e outros aliados.
A orientação presidencial ocorreu em um momento delicado. O Banco Master já acumulava alertas do Banco Central sobre irregularidades, problemas de liquidez e operações questionáveis. Meses depois, o caso evoluiu para uma das maiores crises bancárias recentes, com investigações da Polícia Federal, indícios de fraudes bilionárias, prisões e eventual liquidação ou venda parcial do banco, incluindo tratativas com o BRB, instituição estatal do Distrito Federal.
Críticos veem na ação de Lula um exemplo de interferência política no mercado financeiro. Em vez de permitir que o setor privado resolvesse a situação por meio de uma venda a um grande player como o BTG, o presidente teria optado por manter artificialmente uma instituição problemática, contrariando o argumento de Vorcaro de “quebrar o oligopólio bancário”. A presença de Guido Mantega, que recebia altos honorários do Master enquanto circulava pelo Planalto, reforçou suspeitas de atuação do governo nos bastidores para proteger aliados e operações específicas.
A reunião, não registrada na agenda oficial da Presidência, contrasta com a narrativa de Lula de que se tratava apenas de uma conversa técnica e imparcial. O episódio expõe mais uma vez críticas ao estilo intervencionista do petista na economia, envolvendo reuniões reservadas com empresários em dificuldade, influência sobre reguladores e resistência a soluções de mercado consideradas desalinhadas aos interesses do governo e de seus aliados.
Enquanto depositantes e o sistema financeiro lidam com os impactos da crise no Master, o caso levanta questionamentos sobre o quanto a proximidade com o poder político contribuiu para adiar medidas consideradas inevitáveis e ampliar os danos financeiros.
Foto: PR