Caso envolvendo joia atribuída a líder do TCP reacende debate sobre influência do crime organizado no universo das celebridades
A polêmica envolvendo a influenciadora e advogada Deolane Bezerra expõe, mais uma vez, a perigosa proximidade entre celebridades de grande visibilidade e o submundo do crime organizado no Rio de Janeiro.
Em 2024, Deolane tornou-se alvo da Polícia Civil fluminense após ostentar um colar de ouro avaliado em R$ 200 mil, pertencente a Thiago da Silva Folly, o TH da Maré, um dos principais chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Maré.
Em vez de gerar indignação ou cautela, o episódio foi tratado por parte da influenciadora com deboche e naturalidade, como se posar com joias de um foragido acusado de tráfico e homicídios fosse mera brincadeira de baile.
Essa leviandade não apenas banaliza o terror imposto por facções que dominam territórios inteiros, mas também levanta questionamentos incômodos sobre os critérios éticos de quem lucra com imagem pública no Brasil: até onde o desejo de relevância e ostentação justifica flertar com símbolos de poder de uma das facções mais violentas do Rio, normalizando perante milhões de seguidores o que deveria ser repugnante para qualquer cidadão?
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação