EUA ANUNCIAM TARIFA PARA 60 PAÍSES, MAS LULA TENTA CONCENTRAR CULPA EM FLÁVIO BOLSONARO

REDAÇÃO

Proposta dos Estados Unidos prevê tarifas adicionais para dezenas de economias e inclui o Brasil entre os países avaliados pelo USTR

A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifas adicionais sobre produtos importados de 60 economias ao redor do mundo reacendeu o debate político no Brasil. Embora o país esteja entre os alvos da medida, especialistas destacam que a iniciativa não foi direcionada exclusivamente ao mercado brasileiro.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou, no início de junho, as conclusões de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o relatório, dezenas de parceiros comerciais dos EUA não possuem mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado.
Entre os países incluídos na proposta de tarifa adicional de 12,5% estão Brasil, China, Japão, Índia, Reino Unido, Austrália, Rússia, Argentina e Coreia do Sul. Já um grupo menor, formado por economias como Canadá, México e União Europeia, foi enquadrado em uma alíquota menor, de 10%.
Apesar da abrangência global da medida, o anúncio provocou forte repercussão política no Brasil. Integrantes de diferentes correntes passaram a debater as razões que levaram o país a ser incluído na lista, enquanto críticas e acusações foram direcionadas a adversários políticos.
Analistas observam, porém, que a investigação americana teve alcance internacional e envolveu alguns dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos. Dessa forma, o enquadramento do Brasil ocorreu dentro de um conjunto mais amplo de países avaliados pelo governo norte-americano.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, contestou as conclusões do relatório e afirmou que o Brasil possui políticas de combate ao trabalho análogo à escravidão reconhecidas internacionalmente.
Outro ponto destacado é que as tarifas ainda não entraram em vigor. A proposta foi submetida a consulta pública e deverá passar por audiências previstas para julho, antes de qualquer decisão definitiva.
Enquanto o processo segue em discussão nos Estados Unidos, o tema já se transformou em mais um capítulo da disputa política brasileira, com diferentes grupos tentando atribuir responsabilidades pelo impacto potencial da medida sobre as exportações nacionais.
Foto: White House