Medida anunciada pelo USTR eleva impostos de importação sobre produtos brasileiros após investigação que apontou falhas no combate ao trabalho forçado e na fiscalização de cadeias produtivas.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou nesta segunda-feira a conclusão de investigação sob a Seção 301 que resulta em novas tarifas sobre produtos brasileiros. A medida eleva em 12,5% os impostos de importação para bens do Brasil, sob a alegação de que o país não adota proibições efetivas nem fiscaliza adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A decisão expõe mais uma vez as fragilidades do governo Lula na defesa do comércio exterior brasileiro. Apesar de anos de discursos sobre sustentabilidade e direitos humanos, o Palácio do Planalto não conseguiu convencer as autoridades americanas de que o Brasil cumpre de forma rigorosa as regras internacionais contra o trabalho escravo moderno. A tarifa integra uma lista que atinge dezenas de países, mas o peso sobre o Brasil reforça a percepção de que o atual governo falhou em modernizar e endurecer sua legislação e fiscalização.
O anúncio ocorre em momento delicado para a economia brasileira, que já enfrenta outra investigação da Seção 301, esta com risco de tarifas de até 25% por questões que incluem comércio digital, barreiras tarifárias e políticas ambientais. Somadas, as medidas podem comprometer significativamente as exportações brasileiras aos Estados Unidos, principal parceiro comercial do país em vários setores.
Críticos avaliam que o resultado reflete o despreparo diplomático e a ineficiência do Ministério do Trabalho e do Itamaraty sob a gestão petista. Enquanto o governo prioriza agendas ideológicas internas, o Brasil acumula derrotas no front comercial internacional e vê sua credibilidade ser questionada por práticas que o próprio Lula costuma condenar em discursos.
A tarifa ainda está em fase de consulta pública e pode ser ajustada, mas o sinal enviado por Washington é claro: o governo brasileiro não tem sido capaz de apresentar respostas concretas e eficazes para eliminar o risco de trabalho forçado nas cadeias de produção. Para analistas, o episódio representa mais um custo da inação e da má gestão que caracterizam o terceiro mandato de Lula.
Empresários e setores exportadores já manifestam preocupação com o impacto sobre empregos e competitividade, cobrando do governo uma reação urgente que, até o momento, não se viu.
Foto: White House