Paralisação da vacina contra a dengue reacende debate sobre transparência, farmacovigilância e os limites do questionamento científico no Brasil.
A suspensão da vacina contra a dengue do Instituto Butantan pelo governo Lula, após o registro de duas mortes sob investigação e 42 reações adversas graves em cerca de 500 mil doses aplicadas, expõe uma contradição incômoda para a esquerda no debate público brasileiro sobre imunizantes.
Enquanto o Ministério da Saúde adota agora, corretamente, a precaução de interromper a campanha para investigar possível causalidade, seguindo protocolos de farmacovigilância, o mesmo rigor e a transparência exigidos hoje eram rotulados, no governo Bolsonaro, como negacionismo perigoso, desinformação ou ataque à ciência.
Questionar efeitos colaterais, cobrar monitoramento rigoroso pós-autorização ou defender acompanhamento independente de eventos adversos não era visto como responsabilidade cívica, mas como irresponsabilidade passível de censura, judicialização e linchamento moral pela imprensa, judiciário e setores da esquerda.
Essa hipocrisia seletiva erode a confiança da população: vacinas salvam vidas e merecem apoio, mas nenhum imunizante é isento de riscos raros, e a ciência avança justamente pela dúvida metódica, não pela imposição dogmática.
Tratar o tema com dois pesos e duas medidas só alimenta o ceticismo que se pretendia combater.
Texto: Rodolfo Oliveira
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