CRIANÇAS EVANGÉLICAS FORAM LEVADAS POR AUTORIDADES CHINESAS PARA UM INTERROGATÓRIO POR CAUSA DE UM CULTO

REDAÇÃO

Policiais interromperam reunião religiosa, detiveram dezenas de fiéis e conduziram crianças para interrogatório em mais um caso de repressão contra igrejas independentes

Autoridades chinesas invadiram um culto religioso pacífico e detiveram dezenas de fiéis, incluindo crianças, em mais um episódio de repressão religiosa que expõe o autoritarismo do governo de Pequim.
No domingo, 14 de junho, policiais armados irromperam em um salão de hotel na cidade de Jiangyou, no sudoeste da China, durante a reunião dominical da Early Rain Covenant Church, uma congregação protestante independente. Sem qualquer aviso prévio, os agentes interromperam o culto e levaram mais de trinta pessoas para interrogatório, entre elas líderes da igreja, adultos e crianças que participavam do serviço religioso.
Dois presbíteros, Yan Hong e Wu Wuqing, foram mantidos sob custódia, segundo comunicado emitido pela própria igreja nesta segunda-feira. A ação reforça o padrão sistemático de perseguição adotado pelo regime chinês contra comunidades cristãs que se recusam a se submeter ao controle estrito do Partido Comunista.
A Early Rain Covenant Church já foi alvo frequente de repressão nos últimos anos, com seu pastor fundador, Wang Yi, preso desde 2018. O novo incidente em Jiangyou ilustra como o governo Xi Jinping intensifica a vigilância e a intimidação contra práticas religiosas fora do marco das igrejas oficiais controladas pelo Estado, violando princípios básicos de liberdade de crença e de reunião pacífica.
Organizações de defesa de direitos humanos criticam a postura de Pequim, que trata fiéis comuns e até crianças como ameaças à segurança nacional simplesmente por participarem de um culto. A invasão armada de um espaço de oração reforça a imagem de um Estado cada vez mais intolerante à diversidade religiosa e disposto a usar força policial contra cidadãos que exercem direitos fundamentais.
Foto: Divulgação