Decisão do ministro do STF ocorre na mesma data em que operação da polícia federal atinge Jaques Wagner, líder do governo no senado, em investigação sobre o Banco Master
Intimação ao ex-presidente ocorre no mesmo dia em que operação atinge líder do governo no Senado
Na mesma manhã em que a Polícia Federal deflagrou operação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, voltou a acionar a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desta vez por conta de uma arma registrada em seu nome, apreendida dias antes em uma blitz rotineira da Polícia Militar do Distrito Federal.
A coincidência de datas não passou despercebida pela oposição. Parlamentares e aliados do ex-presidente foram às redes sociais e aos microfones do Congresso apontar o que chamaram de “cortina de fumaça” orquestrada para desviar a atenção do escândalo que atinge o governo.
A Operação Compliance Zero, em sua nona fase, cumpriu nesta quinta-feira (18) dezoito mandados de busca e apreensão em endereços de Wagner na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A Polícia Federal aponta indícios de que o senador teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação favorável ao Banco Master no Congresso. Entre elas, a suposta aquisição de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e repasses de R$ 3,5 milhões a empresa ligada ao seu núcleo familiar. O ministro André Mendonça, do STF, impôs medidas cautelares a Wagner, incluindo proibição de contato com demais investigados.
No entanto, foi a intimação a Bolsonaro que dominou boa parte dos noticiários simpáticos ao governo.
O episódio que originou a decisão de Moraes ocorreu na noite de segunda-feira (15), quando uma pistola Glock 9mm registrada no nome do ex-presidente foi encontrada no assoalho de um Honda Civic conduzido por um militar da segurança presidencial, parado em blitz no Pistão Norte, em Taguatinga. O servidor afirmou que levava a arma para reparo e que ela seria devolvida no dia seguinte. A irregularidade apontada pela Polícia Civil foi a ausência do certificado de registro, o CRAF, documento exigido pela legislação.
Moraes, que acumula a função de relator do processo de Bolsonaro, determinou que a defesa do ex-presidente prestasse esclarecimentos em 24 horas sobre a manutenção do armamento durante o período de prisão domiciliar, além de questionar se a revista dos veículos que saem da residência está sendo devidamente realizada.
Críticos da decisão questionam a desproporcionalidade da resposta institucional. “Uma arma sendo levada para conserto por um agente de segurança virou caso de Estado, enquanto um senador governista é investigado por suposta corrupção milionária com um banco e a imprensa mal noticia”, disse um parlamentar da oposição, que preferiu não ser identificado.
O timing do movimento de Moraes, às vésperas do encerramento do prazo de 90 dias da prisão domiciliar de Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses, também gerou suspeitas entre advogados e comentaristas alinhados à direita, que enxergam na intimação uma tentativa de pressão no momento mais sensível para o ex-presidente.
A defesa de Bolsonaro não se manifestou publicamente até o fechamento desta edição. Jaques Wagner também não respondeu aos pedidos de entrevista.
Foto: Agência Brasil