LULA REJEITA PEDIDO DOS EUA PARA CONTER INFLUÊNCIA CHINESA NO SETOR DE TERRAS RARAS

REDAÇÃO

Governo brasileiro afirma que minerais críticos pertencem ao povo brasileiro e descarta restringir investimentos estrangeiros, mantendo postura de neutralidade entre Estados Unidos e China

Brasília. Em meio à escalada de tensões comerciais com os Estados Unidos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou um pedido indireto de Washington para restringir investimentos de atores extra-hemisféricos, referência velada à China, no setor de minerais críticos e terras raras. A informação foi confirmada pelo próprio ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, nesta quinta-feira, 16.
Segundo relatos de participantes das negociações iniciadas no começo de 2026, os americanos apresentaram a demanda durante rodadas técnicas e ministeriais sobre as relações bilaterais. O objetivo era alinhar o Brasil a uma estratégia ocidental de redução da dependência chinesa em um segmento considerado vital para defesa, tecnologia e transição energética.
O governo brasileiro, no entanto, descartou a ideia, argumentando que se tratava de interferência inaceitável na soberania nacional.
“Não aceitamos porque terras raras e minerais críticos pertencem ao povo brasileiro”, declarou o ministro. Ele reforçou a linha defendida pelo Planalto de manter o setor aberto a investimentos de qualquer origem, desde que haja processamento local.
A decisão ocorre em um momento delicado para a economia brasileira. Os Estados Unidos anunciaram tarifas de 25% sobre diversos produtos nacionais após investigação da Seção 301, e o país acumula dificuldades para avançar em parcerias concretas no setor de minerais críticos. Enquanto isso, a China mantém forte presença na região e domina globalmente o processamento de terras raras.
Críticos da política externa do governo Lula veem na recusa mais um exemplo de rigidez ideológica que pode custar oportunidades de investimento e tecnologia. Apesar de o Brasil deter a segunda maior reserva mundial de terras raras, a produção ainda é incipiente e a capacidade de refino é praticamente inexistente.
Especialistas argumentam que parcerias mais pragmáticas com os EUA poderiam acelerar o desenvolvimento do setor, gerando empregos e agregando valor à cadeia produtiva.
Até o momento, o Palácio do Planalto não detalhou contrapartidas concretas obtidas com a manutenção da postura de neutralidade entre Washington e Pequim. A rejeição ao pedido americano ocorre paralelamente a cobranças internas por uma política mineral mais coordenada e menos fragmentada entre União e Estados.
O tema deve seguir no centro das discussões comerciais entre os dois maiores parceiros do Brasil nas Américas.
Foto: Daniel Medeiros/PlatôBR