Presidente do TSE avalia que terá maioria para manter decisão envolvendo pesquisa da AtlasIntel, enquanto tribunal deve retomar julgamento sobre questionamentos à metodologia do instituto.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve retomar em agosto a análise de uma decisão que envolve a pesquisa da AtlasIntel contestada pelo Partido Liberal (PL). O caso ganhou destaque após questionamentos sobre a metodologia utilizada pelo instituto e a possibilidade de que determinadas perguntas do questionário pudessem influenciar a percepção dos eleitores antes da declaração de voto.
A discussão começou após uma ação apresentada pelo PL, que alegou que o formato das perguntas poderia induzir entrevistados ao erro e comprometer a neutralidade do levantamento. A legenda pediu a suspensão da divulgação da pesquisa, argumentando que haveria problemas relacionados à forma como o questionário foi estruturado.
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, concedeu uma decisão liminar suspendendo uma pesquisa anterior da AtlasIntel. Nos bastidores, ele avalia que teria apoio suficiente entre os ministros para manter a punição aplicada ao instituto quando o caso voltar ao plenário.
A AtlasIntel, porém, nega qualquer irregularidade e afirma que sua metodologia segue critérios técnicos reconhecidos. O instituto defende que as perguntas fazem parte do processo de pesquisa e que não houve intenção de influenciar a resposta dos entrevistados.
A disputa ganhou ainda mais repercussão porque o levantamento apontava vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno para as eleições de 2026.
O caso abriu um debate no meio político e jurídico sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral na fiscalização de pesquisas. Enquanto aliados do pedido de suspensão defendem maior rigor para garantir transparência, críticos afirmam que medidas contra institutos podem representar restrições à divulgação de levantamentos eleitorais.
Além da pesquisa questionada anteriormente, o PL também apresentou uma nova ação contra outro levantamento da AtlasIntel, alegando possíveis falhas relacionadas ao registro e às informações disponibilizadas ao público.
O julgamento ainda não foi encerrado e os ministros do TSE deverão avaliar os argumentos apresentados pelas partes antes de uma decisão definitiva. Até o momento, não existe uma conclusão judicial afirmando que a AtlasIntel tenha comprovadamente manipulado resultados ou induzido eleitores.
O desfecho do caso é acompanhado com atenção por partidos e integrantes do cenário político, já que pesquisas eleitorais costumam ter grande impacto na percepção pública durante períodos que antecedem as eleições.
A decisão final do TSE poderá estabelecer novos parâmetros sobre a elaboração, divulgação e fiscalização de pesquisas eleitorais no Brasil, especialmente em um ano marcado pela disputa presidencial de 2026.
Foto: TSE