MST CLASSIFICA LULA 3 COMO PIOR GESTÃO EM REFORMA AGRÁRIA, MAS CONFIRMA APOIO À REELEIÇÃO

REDAÇÃO

Movimento critica o ritmo da reforma agrária no terceiro mandato de Lula, afirma que os resultados estão abaixo das expectativas, mas mantém apoio político ao presidente para as eleições de 2026.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um dos principais aliados históricos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez duras críticas ao desempenho do atual governo na área da reforma agrária. Segundo o coordenador nacional do movimento, João Paulo Rodrigues, o terceiro mandato de Lula apresenta o pior resultado entre as três gestões do presidente quando o assunto é a criação de assentamentos e a distribuição de terras.
A crítica central do MST está relacionada ao ritmo considerado lento das ações do governo federal. O movimento afirma que milhares de famílias continuam aguardando uma solução enquanto o número de novos assentamentos permanece abaixo da expectativa criada durante a campanha eleitoral e no início do mandato.
João Paulo Rodrigues afirmou que, mantendo o ritmo atual, o governo levaria muitos anos para atender todas as famílias que vivem em acampamentos ligados ao movimento. Para o dirigente, essa demora representa um problema grave e demonstra que a reforma agrária não recebeu a prioridade esperada dentro da atual administração.
O MST também atribui parte da lentidão à política econômica adotada pelo governo, especialmente ao foco no equilíbrio fiscal. Segundo a liderança do movimento, as restrições orçamentárias e a prioridade dada às metas econômicas acabaram limitando investimentos e ações voltadas para a reforma agrária.
Apesar das críticas, o movimento deixou claro que não rompeu com Lula e confirmou apoio à reeleição do presidente. A justificativa apresentada é que o apoio político não se baseia apenas nos resultados atuais da reforma agrária, mas também na defesa de pautas consideradas estratégicas pelo grupo.
A posição do MST gerou repercussão justamente por partir de uma organização historicamente próxima ao Partido dos Trabalhadores. As declarações mostram uma cobrança interna dentro da própria base de apoio do governo, que espera medidas mais rápidas para atender suas principais reivindicações.
O coordenador do movimento afirmou que um eventual novo mandato de Lula poderia ser uma oportunidade para acelerar a reforma agrária por meio de novas medidas e decisões políticas. A expectativa do MST é que o governo tenha mais autonomia para avançar na desapropriação de áreas e criação de assentamentos.
As críticas também reacenderam o debate sobre a relação entre o governo federal e os movimentos sociais ligados à questão agrária. Enquanto o MST cobra resultados mais concretos, o governo argumenta que enfrenta limitações econômicas e jurídicas para realizar mudanças em grande escala.
A declaração do movimento evidencia uma situação de cobrança e apoio simultâneos: o MST critica a condução da reforma agrária no governo Lula 3, mas mantém a aliança política visando a eleição presidencial de 2026.
O episódio demonstra que, mesmo entre grupos próximos ao governo, existem pressões por resultados mais rápidos em áreas consideradas prioritárias. A reforma agrária continua sendo um dos temas mais sensíveis da política brasileira, envolvendo disputas por terra, orçamento público e diferentes visões sobre desenvolvimento rural.
Foto: MST