MINISTRO DA FAZENDA DE LULA PROPÕE APERTO NO ARCABOUÇO QUE PODE LIMITAR REAJUSTE DO SALÁRIO MÍNIMO EM 2027

REDAÇÃO

Proposta discutida por Dario Durigan prevê redução do limite de crescimento real das despesas públicas para cerca de 1,5%, medida que pode impactar o reajuste do salário mínimo e outras despesas obrigatórias.

Durigan defende aperto fiscal que pode reduzir teto de gastos e limitar reajuste do salário mínimo em 2027
Brasília. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem sinalizado ao mercado financeiro a intenção de endurecer as regras do arcabouço fiscal em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A principal medida em discussão é a redução do limite anual de crescimento real das despesas públicas, dos atuais 2,5% para cerca de 1,5%. Isso representaria uma contenção de aproximadamente R$ 25 bilhões no teto de gastos para 2027.
Embora ainda não tenha sido formalizada como posição oficial do governo, a proposta foi levada por Durigan a representantes de grandes instituições financeiras na semana passada. Fontes a par das conversas indicam que o ministro atua como interlocutor econômico da campanha à reeleição de Lula, buscando transmitir uma mensagem de maior disciplina fiscal.
A medida, se implementada, teria impacto direto sobre despesas obrigatórias vinculadas ao salário mínimo, como benefícios previdenciários e assistenciais. Estimativas preliminares apontam que o aperto poderia resultar em um reajuste menor para o piso nacional. Projeções indicam uma redução de cerca de R$ 17 em relação ao valor atualmente esperado para 2027.
Críticos veem na iniciativa um sinal de que o ajuste fiscal recairia novamente sobre as contas dos trabalhadores e das famílias de menor renda. Isso em um contexto de gastos públicos já pressionados. A proposta ainda depende de aprovação no Congresso e de alinhamento definitivo dentro da campanha petista. Até o momento, não há confirmação de que o presidente Lula tenha endossado integralmente as mudanças.
A discussão ocorre em meio a questionamentos sobre o espaço para investimentos e políticas sociais no Orçamento dos próximos anos. O debate reforça os limites do atual marco fiscal para conciliar responsabilidade das contas públicas e proteção social.
Foto: MF