Declaração apresentada ao TSE nas eleições de 2026 aponta patrimônio de R$ 24,5 milhões, enquanto o senador segue sendo investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero e nega qualquer irregularidade.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 24,5 milhões nas eleições de 2026, valor que representa um crescimento de aproximadamente 631% em relação aos R$ 3,3 milhões informados por ele no pleito de 2018, segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A divulgação ocorre enquanto Jaques Wagner continua sendo investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master e à atuação de agentes públicos em favor da instituição financeira.
De acordo com a investigação, a PF atribui a Jaques Wagner o recebimento de vantagens econômicas indevidas, incluindo um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, viagens em aeronaves particulares, ingressos para um show internacional e repasses destinados a uma empresa ligada à sua família.
Os investigadores também afirmam que o senador teria atuado em pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, envolvendo propostas relacionadas ao crédito consignado, ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ao processo de negociação da instituição financeira.
Como parte das apurações, Jaques Wagner foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento sobre os fatos investigados. O depoimento foi marcado após o avanço da coleta de documentos e demais elementos da investigação.
A defesa do senador nega qualquer irregularidade. Wagner afirma que jamais recebeu vantagens ilícitas, sustenta que seu patrimônio é declarado regularmente e diz permanecer à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Em entrevistas após a operação da Polícia Federal, o parlamentar declarou que não é réu nem foi condenado em relação aos fatos investigados, afirmando confiar que as investigações demonstrarão a legalidade de sua atuação.
O aumento patrimonial informado ao TSE chamou atenção por representar um acréscimo superior a R$ 21 milhões em oito anos, tornando esta a maior declaração de bens apresentada por Jaques Wagner desde que disputa eleições.
As investigações sobre o Banco Master seguem em andamento sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, enquanto a Polícia Federal continua reunindo provas, ouvindo investigados e analisando movimentações financeiras relacionadas ao caso.
Até o momento, não houve condenação de Jaques Wagner. A investigação permanece em curso, e caberá às autoridades competentes decidir sobre eventuais denúncias ou outras medidas processuais com base nas provas reunidas.
Foto: Paula Fróes