Ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência confirmou ter recebido valores de empresária investigada pela PF, afirma que se tratava de um empréstimo pessoal já quitado e nega qualquer irregularidade.
A Polícia Federal citou o ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, em uma investigação relacionada à Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. O nome do ex-assessor passou a ganhar destaque após a divulgação de documentos e depoimentos reunidos pelos investigadores.
Marcola deixou o comando do Gabinete Pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva há cerca de duas semanas para integrar a coordenação da campanha de reeleição do petista. Na nova função, passou a atuar na organização da agenda do candidato, trabalhando ao lado do ex-ministro Gilberto Carvalho.
Segundo a Polícia Federal, Marcola recebeu pagamentos da empresária Roberta Luchsinger, investigada no mesmo inquérito. Ela é apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e aparece entre os personagens analisados na investigação sobre o suposto esquema de fraudes no INSS.
Em sua manifestação, Marcola confirmou que recebeu os valores mencionados pela investigação, mas afirmou que o dinheiro fazia parte de um empréstimo pessoal. De acordo com ele, a dívida foi integralmente quitada, não existindo qualquer relação entre a transação financeira e suas atividades no governo federal.
Após a divulgação do caso, o presidente Lula determinou que seu ex-assessor apresentasse esclarecimentos sobre os fatos. Até o momento, não há informação de que Marcola tenha sido denunciado ou acusado formalmente de qualquer crime, e ele sustenta que não praticou nenhuma irregularidade.
A trajetória de Marcola ao lado de Lula é antiga. Durante o período em que o atual presidente esteve preso em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019, ele foi um dos principais interlocutores do petista, levando cartas, recados, documentos e informações políticas para dentro e para fora da Superintendência da Polícia Federal.
O próprio Marcola já relatou essa atuação em entrevistas e também no documentário Visita, Presidente, produzido pela GloboNews. No material, ele descreve como transportava mensagens, inclusive correspondências enviadas por Janja, além de manter Lula informado sobre acontecimentos políticos e notícias do Brasil e do exterior.
No terceiro mandato presidencial, Marcola assumiu a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência, sendo responsável por coordenar a agenda do presidente, organizar reuniões, viagens oficiais, controlar o acesso ao chefe do Executivo e colaborar na preparação de materiais utilizados em pronunciamentos e compromissos institucionais.
A reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em 4 de agosto de 2026, detalhou o histórico de atuação de Marcola ao lado de Lula e sua citação na investigação. Outros veículos de imprensa, como O Globo, CNN Brasil e Valor Econômico, também repercutiram as informações envolvendo o ex-assessor e os desdobramentos da apuração.
As investigações da Polícia Federal continuam em andamento e buscam esclarecer a origem e a finalidade dos pagamentos mencionados. Até o momento, Marcola mantém a versão de que os valores tiveram natureza exclusivamente pessoal, enquanto a PF prossegue reunindo elementos para esclarecer todos os fatos relacionados ao caso.
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