Relatórios da Polícia Federal apontam mensagens sobre suposta articulação para buscar influência junto ao Ministério da Saúde; investigações seguem em andamento.
Relatórios da Polícia Federal divulgados em reportagens do Estadão apontam que mensagens apreendidas durante as investigações revelaram uma articulação para buscar influência dentro do governo federal em favor de interesses privados.
Segundo a investigação, o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, teria sugerido à empresária Roberta Luchsinger que acionasse o ministro Alexandre Padilha, descrito nas conversas como alguém com “mil relacionamentos”, para facilitar o andamento de determinados projetos.
As mensagens mencionam iniciativas relacionadas à cannabis medicinal e à comercialização de kits de dengue junto ao Ministério da Saúde, que, de acordo com a PF, faziam parte da estratégia discutida entre os investigados.
Os relatórios também indicam que Roberta Luchsinger realizou mais de 40 visitas a ministérios e outros prédios do governo federal que, segundo as reportagens, não constavam nas agendas oficiais das autoridades.
De acordo com a Polícia Federal, o conjunto dessas informações serviu de base para o pedido de abertura de novos inquéritos no Supremo Tribunal Federal para apurar eventual prática de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
As investigações destacam que a análise foi baseada em mensagens extraídas de aparelhos eletrônicos apreendidos e em outros elementos reunidos ao longo da apuração conduzida pela PF.
Em nota oficial, o Ministério da Saúde afirmou que Alexandre Padilha nunca recebeu Roberta Luchsinger desde que assumiu o cargo e que jamais tratou dos assuntos mencionados nas mensagens analisadas pela investigação.
A pasta também declarou que não mantém contratos com as empresas relacionadas aos projetos citados e negou qualquer participação nas articulações descritas nos relatórios.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva negou qualquer irregularidade e classificou os pedidos de investigação como uma “pesca probatória”, sustentando que não existem elementos suficientes para justificar as medidas.
Já as defesas de Roberta Luchsinger e de Antônio Camilo Antunes informaram que irão se manifestar oficialmente apenas nos autos do processo, após terem acesso integral ao conteúdo das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Foto: Ministério da saúde