PF MAPEIA INFLUÊNCIA DE LULINHA NO MINISTÉRIO DA SAÚDE COM AJUDA DE ATUAL ASSESSOR DE LULA

REDAÇÃO

Depoimentos analisados pela Polícia Federal apontam suposta atuação de Fábio Luís Lula da Silva junto ao Ministério da Saúde e citam Swedenberger do Nascimento Barbosa, atualmente lotado no gabinete pessoal do presidente.

BRASÍLIA — O governo federal enfrenta uma nova e severa turbulência ética e política após a divulgação de trechos de depoimentos de um informante da Polícia Federal, PF. Os relatos lançam luz sobre um suposto esquema de tráfico de influência operado por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República. Eles jogam para dentro do Palácio do Planalto a sombra das investigações por corrupção.
De acordo com as investigações que correm sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, STF, o atual chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente, Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, teria sido o responsável por abrir as portas do Ministério da Saúde para os interesses do grupo de Lulinha. À época dos fatos narrados pelo colaborador, Berger ocupava a secretaria-executiva da pasta, o segundo cargo mais importante na hierarquia do ministério.
O fantasma do filme repetido
A revelação fustiga a retórica de moralidade da atual gestão ao reviver, com espantosa semelhança, os métodos que marcaram escândalos do passado. Integrantes da própria Polícia Federal que analisam o caso não escondem o incômodo com o roteiro das suspeitas. Nas palavras de um dos investigadores: Não é a Odebrecht, mas já vimos esse filme.
O filme ao qual a PF se refere envolve um dossiê robusto entregue aos agentes públicos. O documento aponta que Lulinha, atualmente residindo em Madri, na Espanha, onde abriu uma empresa de tecnologia após o estouro de escândalos anteriores, estaria sendo mantido e sustentado financeiramente no exterior por uma grande empreiteira. O agravante é que a referida construtora detém contratos bilionários vigentes com o próprio governo federal.
Balcão de negócios e blindagem no Planalto
Segundo o informante da PF, o trânsito livre de Lulinha e de seus associados, entre eles o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, na Saúde tinha o objetivo de intermediar e facilitar a liberação e fornecimento de medicamentos à base de cannabis. Embora os contratos de fornecimento não tenham sido assinados de forma definitiva, a mera existência de pagamentos de mesadas para obter facilidades no governo federal configura, na visão dos investigadores, indícios claros de desvio de conduta e corrupção.
O que mais preocupa a ala política do governo, no entanto, é o atual posicionamento de Berger. Ao deixar o Ministério da Saúde, o servidor não foi afastado ou investigado internamente. Pelo contrário, foi realocado estrategicamente para a assessoria direta do presidente, despachando a poucos metros do gabinete presidencial.
Para a oposição, a manutenção de um nome citado em esquemas de favorecimento ao filho do mandatário no coração do Palácio do Planalto sinaliza uma tentativa de blindagem institucional. Isso agrava o desgaste de imagem do governo, que agora se vê obrigado a gerenciar uma crise que mistura negócios familiares, grandes empreiteiras e a máquina pública.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva e os interlocutores dos servidores citados rechaçam as acusações do informante, classificando-as como infundadas. Eles afirmam que nenhuma irregularidade ou favorecimento foi praticado nos órgãos públicos.
Foto: Divulgação