O PASSADO NO ZOOLÓGICO E O PRESENTE NA MIRA DA PF: A CONTROVERSA EVOLUÇÃO DA FORTUNA DE LULINHA

REDAÇÃO

Da passagem pelo zoológico aos negócios milionários, trajetória de Lulinha volta ao centro das investigações.

SÃO PAULO – A trajetória profissional de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, permanece como um dos episódios mais controversos da história recente do ambiente de negócios no Brasil. Em pouco mais de duas décadas, o biólogo deixou um emprego de baixa remuneração como monitor terceirizado para se transformar em um empresário de sucesso fulminante. Essa ascensão patrimonial extraordinária, contudo, confunde-se com uma sucessão de escândalos e suspeitas de tráfico de influência que o mantêm, de forma crônica, na mira das principais investigações policiais do país.
No ano de 2002, às vésperas de seu pai assumir a Presidência da República pela primeira vez, Lulinha recebia um salário modesto de cerca de R$ 600 mensais para monitorar visitas guiadas no Zoológico de São Paulo. A realidade financeira do biólogo mudou radicalmente após a fundação da Gamecorp, uma modesta produtora de conteúdo de tecnologia que, num curtíssimo espaço de tempo, atraiu o interesse e um aporte inicial de R$ 5,2 milhões da Telemar (atual Oi). O fato de uma concessionária de serviços públicos altamente dependente de decisões e decretos federais injetar dezenas de milhões de reais na empresa do filho do mandatário gerou as primeiras denúncias de favorecimento e marcou o início de seus problemas com a Justiça.
O fantasma da Lava Jato e o cerco dos novos inquéritos da PF
O enriquecimento de Lulinha atingiu o ápice das suspeitas durante os desdobramentos da Operação Lava Jato, que deflagrou a fase Mapa da Mina para investigar se os repasses milionários da Oi ocultavam propinas e o custeio oculto do infame sítio de Atibaia. Embora a defesa do empresário tenha conseguido anular as provas e arquivar as denúncias nos tribunais superiores sob o argumento técnico de incompetência de foro de Curitiba, o alívio judicial durou pouco. Lulinha nunca conseguiu desvincular sua imagem empresarial da sombra de suas conexões políticas com o Palácio do Planalto.
A confirmação de que os métodos de atuação do filho do presidente continuam sob severa desconfiança veio com a recente abertura de três novos inquéritos pela Polícia Federal, devidamente autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, os investigadores rastreiam uma suposta rede de facilitação de negócios que envolve tratativas para o mercado de cannabis medicinal no Ministério da Saúde, além de articulações em benefício de empresários em reuniões privadas com lobistas.
A repetição do mesmo padrão de suspeitas após duas décadas expõe a fragilidade de sua trajetória corporativa, constantemente cobrada pela opinião pública por sua total dependência da influência do sobrenome da família.
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