EUA GARANTEM US$ 1,55 BILHÃO PARA OPERAÇÃO LIGADA ÀS TERRAS RARAS DA SERRA VERDE

REDAÇÃO

Acordo busca assegurar por 15 anos o fornecimento de minerais estratégicos produzidos em Goiás.

Os Estados Unidos avançaram em uma operação bilionária envolvendo a produção de terras raras da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, no estado de Goiás. A estrutura financeira montada pela USA Rare Earth prevê US$ 1,55 bilhão em capacidade de capital para garantir acesso de longo prazo a minerais considerados estratégicos.
Apesar de a operação ter sido associada à compra da mineradora, os recursos levantados pela Sociedade de Propósito Específico não serão utilizados diretamente para adquirir a Serra Verde. O principal objetivo é financiar um contrato de fornecimento de longo prazo ligado à produção da mina Pela Ema.
O acordo prevê a compra de 100% da produção da fase 1 de quatro elementos de terras raras considerados fundamentais para a fabricação de superímãs: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
O contrato terá duração de 15 anos e contará com mecanismos de proteção financeira, incluindo cláusulas de preço mínimo garantido. A estratégia busca oferecer estabilidade à produção e garantir o fornecimento contínuo desses minerais ao mercado ligado aos Estados Unidos.
Dos US$ 1,55 bilhão estruturados para a operação, aproximadamente US$ 750 milhões vêm diretamente do governo norte-americano, enquanto outros US$ 500 milhões poderão ser obtidos por meio de uma linha de crédito bancária.
A estrutura inclui ainda um compromisso de aproximadamente US$ 300 milhões relacionado à compra futura da produção. O conjunto dos recursos demonstra a importância estratégica que Washington atribui à criação de uma cadeia de fornecimento de terras raras menos dependente da China.
Paralelamente ao contrato de produção, a USA Rare Earth também possui um acordo definitivo para realizar uma fusão e assumir o controle societário do Grupo Serra Verde, operação que representa uma etapa distinta da capitalização da SPE.
A conclusão definitiva dessa aquisição, entretanto, ainda depende de etapas corporativas, incluindo a aprovação dos acionistas da USA Rare Earth em assembleia prevista para 28 de agosto de 2026.
A mina Pela Ema ganhou importância internacional por ser uma operação comercial de terras raras em argila iônica fora da Ásia e por produzir elementos utilizados em tecnologias avançadas, incluindo motores elétricos, equipamentos militares e sistemas de energia.
Com o avanço da operação, o Brasil passa a ocupar uma posição ainda mais relevante na disputa global por minerais críticos. Para os Estados Unidos, garantir acesso à produção brasileira representa uma tentativa de reduzir a dependência da cadeia chinesa de terras raras, enquanto a operação também amplia o debate nacional sobre controle, exploração e destino de recursos minerais estratégicos do país.
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