Ozana Malamud relata a luta contra a síndrome de Guillain-Barré e outras sequelas que, segundo ela, surgiram após a vacinação contra a Covid-19, destacando a perda de força, o período em cadeira de rodas e a batalha por diagnóstico e respostas.
Eu sou Ozana Malamud e este não é um relato sobre números ou estatísticas. É sobre o que aconteceu comigo.
No dia 2 de dezembro de 2021, antes da segunda dose do imunizante contra a COVID-19 da Pfizer, eu caminhava 9 quilômetros por dia ao lado do meu esposo. Minhas pernas eram fortes. Aquela seria a minha última caminhada daquele jeito.
Na manhã seguinte, meu corpo já não respondia como antes.
Começava ali uma travessia que mudaria a minha vida: perda de força, dores, cadeira de rodas, investigações, negativas e uma batalha para descobrir o que estava acontecendo comigo.
Foi pela insistência incansável do meu esposo, Cristiano, que se recusou a aceitar tantos “nãos” enquanto me via sofrendo em uma cadeira de rodas, que finalmente chegamos ao exame de eletroneuromiografia que revelou o diagnóstico: Síndrome Rara Guillain-Barré.
E o que relato não está sustentado apenas pela minha palavra. Tenho documentos e laudos médicos que registram meu adoecimento e sua relação com a vacinação contra a COVID-19, além do reconhecimento do nexo temporal dos eventos adversos após a vacina da Pfizer pelo Programa Municipal de Imunização.
Hoje convivo com mais de dez diagnósticos e sequelas, incluindo variantes da SGB, como a Síndrome rara Miller Fisher, uma variante da SGB, e a Síndrome rara PDIC (Polineuropatia Desmielinizante Inflamatória Crônica), além de dores crônicas que fazem parte da minha rotina.
Mas eu estou aqui.
Eu sobrevivi.
Sobrevivi à doença.
Sobrevivi à cadeira de rodas.
Sobrevivi aos “nãos”.
Sobrevivi aos dias em que meu corpo parecia ter desistido antes de mim.
Até que um dia meu esposo veio até mim e me despertou para algo que eu ainda não havia percebido:
“Você precisa falar sobre o que fizeram com você, sobre o que você sente. Você precisa contar a sua história.”
E foi assim que, juntos, decidimos contar o nosso relato.
Foi o meu corpo que adoeceu, mas fomos nós dois que atravessamos as consequências. Ele atravessou a caverna comigo e não largou a minha mão em nenhum momento.
Depois de tudo o que vivemos, entendemos que permanecer em silêncio seria deixar toda essa dor sem propósito. É por isso que decidimos transformar o que vivemos em voz.
Não conto minha história para despertar medo, muito menos para ser olhada com piedade. Conto porque o que vivi precisa ser ouvido e porque a minha experiência pode ajudar outras pessoas a não ignorarem aquilo que o próprio corpo está tentando dizer.
Eu sei o que é sentir o próprio corpo mudar de uma hora para outra. Sei o que é procurar respostas e encontrar portas fechadas. Sei o que é perder a força das pernas, chegar a uma cadeira de rodas e, mesmo assim, continuar lutando.
Por isso eu falo.
Porque por trás de cada diagnóstico existe uma pessoa. Existe uma família. Existe uma vida acontecendo. E existe uma dor que não pode simplesmente ser silenciada.
O que vivi não pode voltar no tempo. Não pode devolver aquilo que perdi nem apagar tudo o que enfrentamos. Mas pode fazer com que outra pessoa não se cale diante do que está vivendo.
Se este relato chegar a uma única pessoa que precisava ouvi-lo, já terá valido a pena.
Por isso, se esta mensagem tocou você, não deixe minha voz parar aqui. Compartilhe. Talvez ela chegue justamente a alguém que ainda esteja procurando respostas.
Ozana Malamud
Uma sobrevivente que decidiu transformar a própria dor em voz.
Texto por Cristiano Malamud
@ozanam.malamud