Ex-banqueiro afirma ao STF que pretende revelar informações sobre integrantes do governo Lula e sustenta que recursos destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro seguiram critérios comerciais e legais
BRASÍLIA — O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, redirecionou o foco das investigações ao declarar oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) que sua proposta de colaboração premiada mira diretamente o “núcleo do atual governo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em depoimento gravado em vídeo enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, o empresário afirmou que as supostas irregularidades que pretende detalhar envolvem contratos e relações de alta cúpula da gestão petista e da segurança pública.
A manifestação de Vorcaro poupou o projeto cinematográfico Dark Horse, obra que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Interlocutores ligados à produção do longa-metragem receberam a declaração como uma confirmação de que os aportes financeiros realizados pelo empresário seguiram critérios estritamente comerciais, de mercado e dentro da legalidade cultural, sem qualquer vinculação com os atos ilícitos investigados na Operação Compliance Zero. Defensores do projeto destacam que o filme tem natureza estritamente artística e biográfica, blindado de ingerências políticas.
Por outro lado, o depoimento eleva a pressão sobre o Palácio do Planalto. Ao apontar que a Polícia Federal teria rejeitado suas tentativas anteriores de delação para blindar o diretor-geral Andrei Rodrigues e integrantes do primeiro escalão do governo, Vorcaro joga luz sobre supostas conexões financeiras e tentativas de blindagem nos bastidores do Poder Executivo.
A investida do banqueiro intensifica o desgaste na base governista, que já enfrenta o desgaste do parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) para enviar as investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no caso Dataprev, para a primeira instância da Justiça Federal.
Outro lado
A assessoria do Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça não se manifestaram sobre as declarações de Vorcaro. Em notas anteriores, a Polícia Federal e a PGR rebateram as falas do empresário, classificando sua estratégia como uma tentativa de tumultuar o processo penal e forçar a concessão de benefícios prisionais. A corporação ressalta que o réu não apresentou provas materiais ou documentos que sustentem as acusações contra integrantes do governo ou contra a cúpula da instituição.
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