DESCONTROLE FISCAL: MERCADO ANTECIPA PARA 2034 PROJEÇÃO DE DÍVIDA MAIOR QUE O PIB NO GOVERNO LULA

REDAÇÃO

 

Projeções de economistas indicam que a dívida bruta poderá superar 100% do PIB em 2034, um ano antes do previsto anteriormente, diante do avanço dos gastos públicos, juros elevados e menor crescimento econômico

O avanço contínuo dos gastos públicos associado à perda de ritmo da atividade econômica acendeu um novo sinal de alerta sobre a condução da política fiscal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Economistas e analistas do mercado financeiro revisaram negativamente as projeções fiscais do país, antecipando para 2034 a previsão de que a dívida bruta brasileira ultrapassará a marca de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) — um ano antes do que o estimado anteriormente.
A mudança nas projeções reforça a preocupação de especialistas com a trajetória das contas públicas brasileiras. O aumento das despesas, combinado com um crescimento econômico mais fraco, amplia os desafios para o governo equilibrar o orçamento e manter a confiança dos agentes econômicos.
A piora no cenário reflete o esgotamento do modelo de ajuste baseado prioritariamente no aumento da arrecadação, em um momento em que a economia dá sinais claros de fadiga. Para analistas, a elevação de receitas por meio de novos impostos e medidas de arrecadação encontra limites quando a atividade econômica perde força.
Com o endividamento atual já em patamares considerados elevados e a taxa básica de juros (Selic) permanecendo em níveis altos, o custo para financiar a dívida pública aumenta. Uma parcela maior do orçamento federal passa a ser direcionada ao pagamento de juros, reduzindo o espaço para investimentos e outras políticas públicas.
O cenário também gera preocupação entre investidores, que observam com atenção a capacidade do país de controlar suas despesas no longo prazo. A percepção de risco fiscal pode influenciar decisões de investimento e afetar as expectativas sobre a economia brasileira.
Especialistas em contas públicas alertam que o Brasil possui limitações estruturais para sustentar um endividamento elevado por longos períodos. Diferentemente de economias desenvolvidas, o país não conta com uma moeda de reserva global ou com ambientes de juros extremamente baixos que permitam uma expansão prolongada da dívida.
A ausência de reformas estruturais voltadas ao controle das despesas obrigatórias é apontada como um dos principais obstáculos para uma mudança na trajetória fiscal. Gastos vinculados e compromissos permanentes do governo dificultam ajustes mais profundos nas contas públicas.
Segundo analistas, sem mudanças significativas na condução econômica, o país poderá enfrentar uma pressão crescente sobre o orçamento nos próximos anos. O aumento da dívida tende a limitar a capacidade do governo de responder a crises ou ampliar investimentos estratégicos.
A discussão sobre o equilíbrio fiscal volta ao centro do debate econômico, com especialistas defendendo medidas capazes de garantir maior sustentabilidade às contas públicas. O desafio está em conciliar políticas sociais e investimentos com a necessidade de manter a dívida sob controle.
Diante desse cenário, a trajetória da dívida brasileira se torna um dos principais pontos de atenção para o futuro da economia. A avaliação predominante entre analistas é que uma mudança de rumo na gestão fiscal será necessária para evitar que o endividamento continue avançando em ritmo considerado preocupante.
Foto: Folha de SP