FACHIN CANCELA SESSÃO DO PLENÁRIO APÓS COBRANÇA DE MENDONÇA SOBRE DECISÃO DE FLÁVIO DINO ENVOLVENDO A PF

REDAÇÃO

Presidente do STF cancela sessão do Plenário em meio à tensão entre Flávio Dino e André Mendonça após a decisão que reconduziu Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal.

A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) se intensificou nesta quarta-feira (9) após o ministro André Mendonça cobrar uma manifestação do presidente da Corte, Edson Fachin, depois da decisão de Flávio Dino que reconduziu Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal.
Nos bastidores, interlocutores ligados a Mendonça afirmam que o ministro demonstrou forte insatisfação com a decisão de Dino, sob o argumento de que a medida teria interferido em um processo que já estava sendo analisado pela Segunda Turma do STF.
A reação de Mendonça ocorreu após a formação de maioria dentro da Segunda Turma para manter o afastamento da direção da Polícia Federal. Para aliados do ministro, a decisão posterior de Dino teria desconsiderado o entendimento construído pelo colegiado.
A cobrança feita a Fachin aumentou a pressão sobre a presidência do Supremo, que passou a administrar um dos momentos mais delicados de divisão interna entre ministros da Corte nos últimos anos.
Pouco depois do agravamento da disputa, Edson Fachin cancelou a sessão do Plenário que estava marcada para esta quarta-feira. Oficialmente, o STF não apresentou detalhes sobre a decisão, mas a medida ocorreu em meio ao clima de tensão envolvendo os ministros.
O cancelamento dos trabalhos foi interpretado nos bastidores como uma tentativa de evitar que o conflito fosse exposto publicamente durante uma sessão com a participação dos 11 ministros do Supremo.
Com a suspensão da sessão, julgamentos importantes que estavam previstos para esta quarta-feira foram adiados, aumentando a expectativa sobre como o tribunal irá conduzir a crise entre decisões individuais e entendimentos formados por órgãos colegiados.
A disputa colocou em evidência um debate sobre os limites das decisões monocráticas dentro do Supremo e o respeito às decisões tomadas pelas turmas da Corte.
Fachin agora tenta administrar o impasse antes que o caso chegue ao Plenário, onde todos os ministros deverão se posicionar sobre o conflito institucional que envolve Dino, Mendonça e a condução da Polícia Federal.
O episódio aprofundou a divisão interna no STF e colocou em debate a necessidade de equilíbrio entre autonomia dos ministros, funcionamento dos colegiados e preservação da estabilidade institucional da Corte.
Foto: STF