João Carlos Mansur firma acordo de delação com a PGR e apresenta informações sobre supostas irregularidades envolvendo fundos da Reag, Daniel Vorcaro e operações investigadas no caso Banco Master.
O empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da Reag Investimentos, firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que trouxe novos elementos para as investigações envolvendo o caso Banco Master. Segundo informações divulgadas, Mansur teria relatado supostas irregularidades envolvendo fundos administrados pela gestora e operações ligadas ao ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro.
De acordo com a delação, fundos estruturados pela Reag Trust teriam sido utilizados para movimentar recursos e ocultar valores. O relato do empresário faz parte das apurações da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes e movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Mansur teria afirmado aos investigadores que parte dos recursos movimentados por meio desses fundos teria sido direcionada ao patrimônio pessoal de Vorcaro e também para supostos pagamentos de propinas a agentes públicos. As informações ainda dependem de análise das autoridades responsáveis pelo caso.
O acordo de colaboração foi assinado pela PGR no início de setembro de 2026 e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para avaliação. A homologação está sob responsabilidade do ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master.
Como parte do acordo, João Carlos Mansur teria se comprometido a pagar uma multa de R$ 40 milhões. O pagamento faz parte das condições estabelecidas para a colaboração, que ainda precisa ser validada pelo Supremo.
As investigações também analisam operações realizadas entre o Banco Master e fundos ligados à Reag. Segundo apurações citadas no caso, o Banco Central identificou transações consideradas irregulares envolvendo as instituições entre 2023 e 2024.
A Reag Investimentos passou a ser alvo das autoridades após questionamentos sobre operações financeiras realizadas pela gestora. O Banco Central determinou medidas contra a empresa no início de 2026, em meio às investigações sobre possíveis infrações.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ainda não teve acesso aos anexos da delação de Mansur e, por isso, não poderia comentar especificamente as acusações apresentadas pelo empresário. Os advogados aguardam a disponibilização dos documentos para avaliar o conteúdo.
A defesa de João Carlos Mansur, por sua vez, optou por não se manifestar publicamente sobre o acordo de colaboração. O empresário permanece como uma das peças centrais para esclarecer a possível dinâmica das operações investigadas.
O caso segue em análise pelo Supremo Tribunal Federal e pela Polícia Federal, que devem avaliar a consistência das informações fornecidas na delação. A colaboração premiada, por si só, não representa condenação, mas pode auxiliar no avanço das investigações.
Com o novo depoimento, o caso Banco Master ganha um novo capítulo, colocando no centro das apurações as relações entre instituições financeiras, fundos de investimento e possíveis movimentações destinadas a beneficiar interesses privados ou agentes públicos.
Foto: Poder360