Governo Lula mantém sob sigilo centenário registros de visitas a Daniel Vorcaro na prisão da Polícia Federal, enquanto presidente admite ter recebido o ex-banqueiro no Palácio do Planalto em reunião de cerca de 30 minutos
Apesar de defender publicamente o fim do sigilo sobre o “Caso Master”, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a controversa barreira do sigilo de 100 anos para blindar os registros de visitas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro na prisão da Polícia Federal.
A decisão do Ministério da Justiça contrasta com o discurso de transparência da gestão federal e ocorre após o próprio petista ter admitido que recebeu Vorcaro em audiência no Palácio do Planalto. A reunião, que durou cerca de meia hora e foi intermediada pelo ex-ministro Guido Mantega, coloca o gabinete presidencial sob os holofotes de uma crise que envolve cifras milionárias e suspeitas de interferência política.
A aplicação do sigilo de um século sobre a lista de visitantes do banqueiro gerou fortes críticas da oposição e de defensores do acesso à informação, que enxergam na medida uma tentativa de esconder possíveis conexões políticas e agendas extraoficiais em Brasília.
Críticos apontam uma contradição direta no comportamento do chefe do Executivo, que no passado condenou veementemente o uso desse mesmo mecanismo de blindagem por gestões anteriores. Ao fechar os arquivos sobre as movimentações na carceragem da PF, o governo alimenta suspeitas e amplia o desgaste político de Lula, que agora precisa justificar por que o Palácio do Planalto abriu as portas para um empresário que reclamava de investigações policiais em curso.
Foto: Ricardo Stuckert