VORCARO ADMITE PAGAMENTO DE SERVIÇO NA DISNEY E AFIRMA QUE FOI APENAS UM “AGRADO PESSOAL”

REDAÇÃO

Ex-banqueiro confirmou à Polícia Federal que pagou cerca de US$ 38 mil por um serviço VIP para viagem de servidor do Banco Central com a família, mas negou que a oferta tivesse relação com favorecimento ou influência na instituição

A Polícia Federal apontou, em relatórios que tiveram o sigilo retirado, que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria articulado e custeado benefícios de luxo durante uma viagem de férias à Disney envolvendo Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central.
Segundo os investigadores, a análise de mensagens e informações encontradas em dispositivos eletrônicos indicou que o servidor teria enviado seu roteiro familiar de viagem a Vorcaro em janeiro de 2024. A partir disso, o banqueiro teria acionado uma empresa de turismo de luxo para organizar um serviço de acompanhamento exclusivo nos parques de Orlando.
O relatório da PF aponta que o serviço contratado, chamado de “guia VIP”, teria custado US$ 38 mil, valor estimado em cerca de R$ 200 mil na cotação da época. O pagamento teria sido realizado por Vorcaro, sem que houvesse reembolso por parte do beneficiado.
Os investigadores também destacaram uma mensagem enviada por Paulo Sérgio a Vorcaro no dia do embarque para os Estados Unidos, em 5 de fevereiro de 2024. Na mensagem, o então dirigente do Banco Central agradecia novamente pelo auxílio recebido antes de iniciar a viagem com a família.
Além da viagem, a PF analisou conversas que indicariam uma proximidade entre Vorcaro e integrantes do Banco Central. Segundo o relatório, após o agradecimento pela viagem, o servidor teria enviado orientações ao banqueiro sobre uma reunião que ele teria com o diretor de Fiscalização do Banco Central.
A investigação apura se vantagens oferecidas pelo empresário poderiam ter relação com eventuais benefícios obtidos junto a servidores públicos. Os investigadores afirmam que alguns integrantes do BC teriam mantido uma relação próxima com Vorcaro durante o período analisado.
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro confirmou que ofereceu o serviço de concierge e afirmou que a contratação fazia parte de uma estrutura que já utilizava para atividades de marketing e relacionamento. Segundo ele, a oferta ocorreu após saber que o servidor viajaria com os filhos.
Vorcaro afirmou ainda que o episódio teve caráter pessoal e classificou o pagamento como um “agrado”. O empresário negou que a iniciativa tivesse qualquer finalidade de obter favorecimento ou influência dentro do Banco Central.
O relatório também menciona outras vantagens investigadas, incluindo viagens internacionais e possíveis repasses de informações sigilosas relacionadas ao funcionamento da instituição financeira. A PF busca esclarecer a extensão da relação entre o banqueiro e servidores públicos.
O caso faz parte das investigações envolvendo o Banco Master e as relações mantidas por Daniel Vorcaro com integrantes de órgãos reguladores. As apurações continuam para verificar a existência de eventuais irregularidades e responsabilidades dos envolvidos.
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