Karina Gama afirma ter sido pressionada a fazer delação premiada e nega possuir informações que possam incriminar terceiros, além de rejeitar irregularidades na produção do filme Dark Horse.
A produtora Karina Gama, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que se sente pressionada a fazer uma delação premiada, embora diga não ter informações capazes de incriminar outras pessoas. O relato foi feito em entrevista à CNN Brasil, após ela ter sido alvo da Operação Make Up, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares relacionadas à produção do longa.
Karina afirmou que foi procurada por um advogado que teria oferecido apoio jurídico caso ela decidisse colaborar por meio de uma delação. Segundo a produtora, o advogado teria mencionado possuir bom relacionamento no Supremo Tribunal Federal. Posteriormente, ela também relatou ter sido procurada por um pastor amigo que mencionou a possibilidade de delação e citou nomes aos quais teria acesso.
Ao comentar a pressão que diz estar sofrendo, Karina afirmou ter a sensação de que poderia se transformar em uma espécie de “novo Mauro Cid”, em referência ao ex-ajudante de ordens de Bolsonaro que firmou acordo de colaboração premiada. A produtora, porém, rejeitou essa possibilidade e declarou que não possui elementos para incriminar terceiros. “Eu não vi, eu não participei de nada que incrimine pessoas. Tudo que a gente fez foi um filme”, afirmou.
Karina também negou irregularidades na produção e afirmou que os contratos firmados por suas empresas possuem cláusulas de sigilo e confidencialidade. Ela disse que pretende colaborar com as autoridades, desde que seus direitos legais sejam respeitados. A produtora também relatou ter sofrido ameaças que, segundo seu relato, teriam partido de pessoas com quem manteve relações pessoais e profissionais.
Sobre o financiamento de Dark Horse, Karina afirmou que, para ela, o investidor do projeto era o fundo Havengate. Ela negou ter recebido dinheiro diretamente de Daniel Vorcaro ou ter mantido relação com empresas ligadas ao ex-controlador do Banco Master. Segundo a produtora, sua função era executar o filme depois da aprovação do projeto e do orçamento, e ela não participava da administração do fundo nem tinha como atribuição investigar a origem dos recursos.
O caso é investigado em duas frentes no STF: uma sob relatoria de Flávio Dino, relacionada a possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares, e outra conduzida por André Mendonça, que apura repasses atribuídos a Daniel Vorcaro. Karina também nega que o filme tenha recebido recursos de emendas parlamentares. As investigações seguem em andamento, e as suspeitas ainda dependem da apuração das autoridades e de eventual comprovação dos fatos.
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