Pesquisa realizada entre 15 e 17 de setembro aponta Lula com 53% das intenções de voto entre eleitores que recebem ou vivem em domicílios atendidos pelo Bolsa Família, enquanto Flávio Bolsonaro tem 28%; entre os não beneficiários, os dois aparecem numericamente próximos, com 37% e 36%, respectivamente
Pesquisa Datafolha expõe a forte dependência eleitoral de Lula em relação ao eleitorado beneficiário do Bolsa Família: entre quem recebe o programa ou vive em domicílio atendido, o petista marca 53%, contra 28% de Flávio Bolsonaro, enquanto, entre os que não dependem do benefício, Flávio aparece numericamente à frente, com 37%, contra 36% de Lula.
No cenário geral, a diferença é estreita: Lula tem 39% e Flávio 36%, dentro da margem de erro, e no segundo turno o placar é de 46% a 44%.
O dado ganha ainda mais peso porque Lula anunciou, durante o período da pesquisa, um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691 e programando o início dos pagamentos para apenas seis dias antes do segundo turno, medida que Flávio classificou como um “ato de desespero” eleitoral.
O contraste é evidente: enquanto Lula aposta na ampliação de um benefício social às vésperas da eleição para preservar sua principal base eleitoral, Flávio consegue disputar praticamente de igual para igual no eleitorado que não recebe o programa e mantém a corrida nacional em situação de empate técnico.
O levantamento, realizado entre 15 e 17 de setembro com cerca de 2 mil eleitores em 125 municípios, mostra, portanto, uma disputa na qual Lula ainda encontra sua maior sustentação entre os beneficiários do Bolsa Família, enquanto Flávio amplia espaço fora desse segmento e se consolida como o principal adversário do petista.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação
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