Presidente criticou em 2022 o aumento do Auxílio Brasil promovido por Jair Bolsonaro e agora reajusta o Bolsa Família em 15,04%, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 durante o período eleitoral
A decisão de Lula de reajustar o Bolsa Família em 15,04%, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 a poucas semanas das eleições de 2026, expõe a contradição de um presidente que, em 2022, atacou duramente o aumento do Auxílio Brasil promovido por Jair Bolsonaro, acusando o então presidente de tentar “comprar o povo” com medidas sociais próximas do pleito.
Naquele momento, Lula chegou a chamar Bolsonaro de “fascista” e afirmou que o eleitor deveria receber o dinheiro, mas votar contra quem o concedia; quatro anos depois, o petista adota uma estratégia semelhante, agora com um reajuste anunciado durante a corrida eleitoral e com impacto financeiro estimado em bilhões de reais.
A diferença entre o discurso de ontem e a prática de hoje levanta questionamentos sobre a coerência política de Lula e sobre o uso de políticas de transferência de renda em períodos eleitorais.
Enquanto em 2022 o petista tratava a ampliação do benefício como uma tentativa de manipulação do eleitorado, agora apresenta sua própria medida como correção para preservar o poder de compra das famílias.
A oposição, por sua vez, recorreu à Justiça Eleitoral para questionar a legalidade do anúncio.
O episódio reforça o debate sobre a utilização de programas sociais como instrumentos de disputa política e coloca em evidência a mudança de discurso de Lula diante de uma medida que ele próprio condenava quando partia de seu adversário.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação
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