Reajuste de 15,04% eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, com pagamentos previstos para começar entre os turnos, enquanto críticas apontam possível uso eleitoral da medida e lembram declarações de Lula contra iniciativa semelhante em 2022
O reajuste de 15,04% no Bolsa Família, anunciado pelo governo Lula a apenas 17 dias do primeiro turno, colocou o Planalto sob forte questionamento até mesmo de O Globo, que classificou a medida como um “ardil eleitoreiro” e apontou o contraste com as críticas feitas pelo próprio Lula, em 2022, ao aumento de benefícios sociais promovido às vésperas daquela eleição.
O decreto eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio estimado de R$ 675 para R$ 777, com impacto calculado em R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027.
Embora o governo sustente que se trata apenas de uma recomposição inflacionária, o momento escolhido, com os novos pagamentos começando em outubro, entre os turnos eleitorais, alimenta o debate sobre o uso político de uma política social de grande alcance.
A crítica ganha ainda mais peso diante da lembrança de que Lula condenava, em 2022, medidas semelhantes adotadas por seu adversário.
O episódio expõe uma contradição evidente no discurso petista: quando o benefício aumentava sob Bolsonaro, Lula denunciava oportunismo; agora, diante de um reajuste bilionário anunciado na reta final da eleição, o governo apresenta a mesma iniciativa como responsabilidade social.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação
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