George Marques, coordenador-geral da Secom, compartilhou publicação falsa sobre Flávio Bolsonaro e apagou o conteúdo após alegar que o compartilhamento ocorreu de forma involuntária, enquanto a oposição levou o episódio ao TSE
O envolvimento direto de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom, no endosso a um boato falso contra a oposição materializa, na visão de juristas e opositores, o uso indevido da máquina pública para fins eleitorais. Embora o funcionário alegue ter realizado o compartilhamento de forma involuntária e em sua conta pessoal, o fato de ele ocupar um cargo de alta relevância estratégica na comunicação da Presidência da República vincula a sua conduta diretamente à estrutura do Estado. A legislação eleitoral proíbe terminantemente que agentes públicos utilizem sua influência, autoridade ou o tempo de expediente para difamar adversários políticos ou desequilibrar a disputa nas urnas.
O episódio ganha contornos ainda mais graves devido à flagrante contradição institucional que ele representa para a atual gestão. O governo federal despende expressivos recursos públicos em campanhas institucionais e plataformas oficiais destinadas exclusivamente ao combate à desinformação no ambiente digital. Ver o próprio estrategista da Secretaria de Comunicação Social endossar uma publicação que pedia explicitamente para “deixar o boato rolar” contra um rival político sabota a credibilidade dessas políticas públicas e alimenta a acusação de que o Planalto atua com dois pesos e duas medidas no debate sobre a integridade da informação.
Diante disso, a defesa do senador Flávio Bolsonaro agiu rapidamente e anexou o caso a uma robusta Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) já em tramitação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa macro-ação reúne mais de duas dezenas de episódios que, segundo a oposição, configuram o maior esquema de abuso de poder político e econômico por meio da máquina estatal já visto em uma campanha presidencial. O tuíte do servidor da Secom passou a ser explorado como uma prova documental importante para demonstrar um suposto padrão coordenado de ataques digitais operado de dentro do palácio do governo.
No âmbito do TSE, as consequências jurídicas para a chapa governista dependem de os ministros enxergarem o episódio não como um fato isolado, mas como parte desse conjunto sistemático de irregularidades. Para que uma sanção extrema de inelegibilidade seja aplicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a jurisprudência exige a comprovação inequívoca de que o mandatário tinha ciência e anuiu com a conduta, além de o ato possuir gravidade suficiente para comprometer a lisura do pleito. Contudo, o acúmulo de representações desse teor eleva a pressão sobre o tribunal e desgasta o capital político da campanha à reeleição.
Como desdobramento imediato da crise, a oposição intensificou a pressão no Congresso Nacional exigindo a convocação de integrantes da Secom para prestar esclarecimentos sobre as diretrizes de conduta adotadas pelo órgão. Enquanto o servidor apagou a postagem para conter danos e alegou erro técnico, o silêncio oficial adotado pela Secretaria de Comunicação aprofundou o desgaste político do Palácio do Planalto. O caso reforça a narrativa dos adversários de que a estrutura governamental está sendo instrumentalizada, transformando um deslize digital em um prolongado embaraço jurídico e político para a atual gestão.
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