Ministra do TSE declarou apoio a Lula em 2022 e foi nomeada para a Corte em 2025, enquanto sua decisão sobre o debate da Globo gerou questionamentos de críticos sobre a percepção de imparcialidade da Justiça Eleitoral
A ministra do TSE Estela Aranha voltou ao centro da controvérsia eleitoral após determinar que a TV Globo não exibisse o púlpito vazio destinado a Lula no debate presidencial de 1º de outubro, decisão que contribuiu para a insegurança jurídica apontada pela emissora antes do cancelamento do evento.
O episódio ganha ainda mais repercussão porque a própria ministra já declarou publicamente, em vídeo de 2022, que votaria em Lula no segundo turno e defendeu que advogados votassem no petista para “estancar o aumento do autoritarismo” e “defender o Estado democrático de Direito”.
Nomeada por Lula para o TSE em 2025, Estela também ocupou cargo no Ministério da Justiça durante a gestão de Flávio Dino e, segundo a coluna Painel, contou com articulação e apoio político ligados à sua indicação.
Diante desse histórico, a decisão de impedir a exposição pública da ausência de Lula no debate levanta questionamentos sobre a percepção de imparcialidade da Justiça Eleitoral justamente em uma disputa presidencial extremamente polarizada: para críticos, a medida acaba protegendo eleitoralmente um candidato que decidiu não comparecer ao confronto, enquanto a ministra afirma em sua decisão que a exibição do púlpito poderia produzir consequências negativas ao candidato ausente.
O caso alimenta, assim, um debate sobre os limites da atuação judicial durante a campanha e sobre a necessidade de absoluta aparência de neutralidade de magistrados que tomam decisões capazes de afetar diretamente a exposição dos candidatos perante o eleitorado.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação
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