PF DESCOBRE REPASSE OCULTO DE LOBISTA DO “CARECA DO INSS” PARA COMPRA DE INGRESSOS EM JANTAR COM LULA

REDAÇÃO

Segundo as investigações, Roberta Luchsinger teria repassado R$ 50 mil ao PT por meio de contas de terceiros para a compra de dez ingressos para um jantar do partido, em operação que teria sido solicitada por Swedenberger Barbosa

A lobista Roberta Luchsinger repassou R$ 50 mil para o Partido dos Trabalhadores (PT) em março de 2024 utilizando contas bancárias em nome de terceiros para ocultar a transação. O repasse oculto foi solicitado por Swedenberger Barbosa, conhecido como “Berger”, que na época era secretário-executivo do Ministério da Saúde e atua como chefe de gabinete adjunto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Jantar de Arrecadação e a Ocultação do Rastro
A transação financeira teve como objetivo a compra de dez ingressos para o jantar de comemoração de aniversário de 44 anos do PT, realizado em Brasília em 20 de março de 2024. Conforme dados interceptados pela Polícia Federal, a própria empresária, que costumava se apresentar como sócia do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), esteve presente no evento ao lado de Lula, de ministros de Estado e de parlamentares governistas.
Mensagens obtidas pelos investigadores revelam que Roberta ordenou o uso de contas de laranjas de forma deliberada, afirmando explicitamente que não desejava deixar registros diretos ou rastros em seu nome sobre o apoio financeiro.
Tráfico de Influência, a Sociedade com o “Careca do INSS” e Proximidade com o Governo
Investigações avançadas apontam que a interlocução de Roberta Luchsinger com a cúpula do governo federal ia além do financiamento partidário oculto:
– Parceria com o “Careca do INSS”: Relatórios da PF apontam que Roberta mantinha uma sociedade de fato com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que acabou preso na esteira da Operação Sem Compliance devido a fraudes bilionárias na autarquia. A quebra de sigilo expôs repasses de R$ 1,5 milhão do “Careca” para Roberta. A linha de investigação da PF apura se Lulinha atuou como sócio oculto nessa mesma estrutura para favorecer o lobista em negociações espúrias no governo.
– Atuação na Saúde: O esquema visava contratos milionários na área pública. Swedenberger Barbosa auxiliava a lobista na liberação de recursos do Ministério da Saúde para estados e municípios em troca de comissões, enquanto o grupo tentava intermediar a venda de fármacos derivados de canabidiol para a pasta.
– Investigações no STF: Atualmente, fatos ligados a Roberta e a Lulinha são alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), que apuram corrupção e tráfico de influência na Dataprev e no Ministério da Saúde.
– Mimos à Cúpula: A Polícia Federal também identificou diálogos sobre a compra de presentes de alto valor bancados por Roberta para o entorno do presidente, incluindo relógios de luxo, joias, obras de arte e o custeio de festas e hospedagens de alto padrão para assessores diretos e para a secretária pessoal de Lula.
Embora o presidente Lula tenha tentado se distanciar publicamente em declarações recentes à imprensa, chamando a empresária de “pilantra”, os registros coletados pela PF expõem o trânsito livre da lobista — com dezenas de visitas registradas em gabinetes e no Planalto — e o financiamento oculto de eventos oficiais do partido por meio de canais informais de assessores do Palácio do Planalto.
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